EUA impõem tarifa de 25% em produtos brasileiros, afetando 19,2% do total exportado e concentrando o impacto em SP e SC.
Uma nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, com alíquota de 25%, está gerando preocupação em setores estratégicos da economia nacional. O impacto total estimado alcança US$ 7,4 bilhões em vendas, e uma análise detalhada revela que a maior parte desse prejuízo se concentrará em dois estados brasileiros: São Paulo e Santa Catarina.
Esses dois estados, juntos, respondem por mais da metade, precisamente 52%, do valor total das exportações brasileiras que serão atingidas pelas novas medidas tarifárias americanas. O governo dos EUA alega práticas comerciais “desleais” por parte do Brasil, justificativas que o Brasil refuta veementemente. As novas tarifas entram em vigor a partir de 22 de julho.
Diante deste cenário, a ApexBrasil, Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos, já anunciou um plano de ação. O objetivo é oferecer suporte às empresas afetadas, com um investimento de R$ 130 milhões destinados a auxiliar na diversificação de mercados e na busca por novas oportunidades comerciais fora dos Estados Unidos. Conforme informação divulgada pela ApexBrasil, o impacto total das novas tarifas sobre o total exportado ao país norte-americano deve ser de 19,2%.
São Paulo lidera o impacto financeiro do tarifaço americano
O estado de São Paulo, principal polo econômico do Brasil, figura como o mais afetado em termos de valor absoluto. Dos US$ 7,4 bilhões em vendas sob o novo tarifaço, um montante expressivo de US$ 3 bilhões tem origem paulista. Isso representa 41,6% do total das exportações brasileiras impactadas, o que equivale a 20% das exportações totais de São Paulo direcionadas aos Estados Unidos.
Santa Catarina em situação crítica, com alta porcentagem de exportações afetadas
Embora São Paulo concentre o maior valor, Santa Catarina enfrenta uma situação proporcionalmente mais crítica. O estado catarinense vê 68% de suas exportações para os EUA afetadas pelas novas tarifas. Esse percentual evidencia uma dependência significativa do mercado americano para setores importantes da economia local, tornando o impacto ainda mais severo para as empresas do estado.
Setor madeireiro e granito sob ameaça com o novo tarifaço
Além dos impactos gerais, setores específicos como o madeireiro e o de granito também estão na mira das tarifas americanas. O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou a importância desses produtos. Segundo dados da agência, 30% das importações de madeira dos EUA provêm do Brasil, sendo que 66,7% dessa madeira tem origem no Paraná. Essa dependência pode gerar efeitos cascata na construção civil americana.
No caso do granito, os Estados Unidos importam 36% desse material do Brasil. Laudemir Müller ressaltou a dificuldade de substituição imediata, dada a dependência americana. “Não há como, de uma hora para outra, o americano, que tem 30% do seu suprimento de madeira do Brasil para construção, buscar em outro local. Não tem como buscar granito em outro local com essa dependência de 36%”, comentou Müller, indicando que o impacto pode, inclusive, influenciar a inflação americana.
