Sábado, 18 de Julho de 2026 às 20:39
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ApexBrasil lança R$ 130 Milhões para Diversificar Exportações Brasileiras e Combater Tarifas dos EUA

ApexBrasil anuncia plano bilionário para impulsionar diversificação de exportações e mitigar impacto de tarifas americanas.

Diante do recente aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) apresentou um plano robusto de R$ 130 milhões. O objetivo principal é expandir e diversificar as vendas do Brasil no exterior, buscando novos destinos e reduzindo a vulnerabilidade a políticas comerciais de outros países.

A iniciativa, que tem previsão de lançamento para agosto, contará com a colaboração de 57 setores econômicos e cerca de 2,4 mil empresas exportadoras brasileiras. A estratégia visa não apenas manter as exportações atuais, mas também explorar oportunidades inéditas em um cenário internacional cada vez mais dinâmico e complexo.

Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, destacou em entrevista coletiva que a agência já atua na expansão de mercados, mas que o foco agora será na diversificação estratégica. “É um novo olhar sobre novas oportunidades a partir de um novo cenário do comércio internacional”, explicou Müller, ressaltando a importância de se adaptar às novas realidades globais.

Novos Horizontes: Europa, Sudeste Asiático e Ásia Central no Radar

A União Europeia, especialmente após o recente acordo com o Mercosul, figura como um mercado prioritário para a diversificação. Outra região de grande interesse é a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que inclui países como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã, conhecidos por suas altas taxas de crescimento econômico e populações jovens.

A Ásia Central, com nações como Cazaquistão e Uzbequistão, também está sendo considerada como um novo polo de exploração para as empresas brasileiras. Müller ressaltou o potencial desses mercados, afirmando que “são países de alto crescimento e desenvolvimento, eles têm procurado muito o Brasil para parcerias em investimento e estão crescendo a 7% ou 8% [do Produto Interno Bruto, PIB], com população jovem, e que demandam, inclusive, produtos que o Brasil tem”.

O Impacto das Tarifas dos EUA e a Resposta Brasileira

A decisão do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais “desleais”, gerou uma reação imediata do governo brasileiro. O Brasil rejeita as justificativas, considerando a medida politicamente motivada e uma exigência de abertura de mercado sem contrapartida. As novas tarifas entraram em vigor em 22 de julho.

Os produtos afetados pelas tarifas representaram, no ano passado, cerca de US$ 7,2 bilhões em exportações para os EUA. No total, o Brasil exportou US$ 38 bilhões para o país no mesmo período. Apesar disso, o número de produtos isentos aumentou, elevando o valor livre de tarifas para US$ 22,8 bilhões do total exportado.

Laudemir Müller informou que, no primeiro semestre do ano, houve uma redução de aproximadamente US$ 2,6 bilhões em exportações para os EUA, reflexo das tarifas já aplicadas. Contudo, ele destacou um crescimento significativo para outros destinos, como Europa (US$ 3,1 bilhões), Índia (US$ 2,5 bilhões) e China (US$ 10,5 bilhões).

Diversificação em Andamento e o Potencial do Brasil no Cenário Global

O trabalho de diversificação de mercados pela ApexBrasil já vinha ocorrendo desde as primeiras tarifas impostas pelos EUA em 2025. Segundo Müller, 72% das empresas exportadoras apoiadas pela agência que vendem para os EUA já buscaram outros destinos entre junho de 2025 e maio de 2026, adicionando pelo menos um novo mercado.

A agência reconhece que alguns mercados exigirão um trabalho mais aprofundado e de médio a longo prazo. “Tem outros setores que vão demorar um pouco mais e que talvez seja mais complexo. Muitas vezes a gente precisa, inclusive, criar o mercado em outro país”, admitiu Müller, exemplificando a necessidade de apresentar produtos brasileiros, como uma rocha com características específicas, ao mercado chinês.

Apesar dos desafios impostos pelas tarifas, o presidente da ApexBrasil ressaltou a imagem positiva do Brasil no exterior como um “país amigo, um fornecedor estável”. Ele citou que o Brasil atraiu US$ 77 bilhões em investimentos no ano passado, sendo o quinto maior receptor global, com um crescimento de 22% na atração de investimentos, superando a média de 2% dos países em desenvolvimento.

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