Sábado, 25 de Julho de 2026 às 18:25
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Tarifa de 37,5% dos EUA sobre Exportações Brasileiras: O que muda para US$ 6,6 bilhões em Produtos e como o Comércio Bilateral é Afetado

Novas tarifas dos EUA impactam US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras, com alíquotas de até 37,5%

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) do Brasil informou que as recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos afetarão cerca de US$ 6,6 bilhões em produtos brasileiros destinados ao mercado norte-americano. Essa medida representa um acúmulo de tarifas que pode chegar a 37,5% sobre determinados itens, conforme divulgado pelo ministério.

A sobretaxa acumulada de 37,5% incide sobre 16,5% das exportações brasileiras para os EUA. Essa alíquota final resulta da combinação de uma tarifa adicional de 25%, previamente anunciada pelo governo americano, com uma nova sobretaxa de 12,5%. A medida foi justificada com base em investigações sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que permite retaliações a práticas comerciais consideradas injustas.

Entre os produtos mais afetados pela nova política tarifária estão máquinas e equipamentos, diversos tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções. O governo brasileiro estima que as novas medidas tarifárias alcancem 23,1% das exportações destinadas aos Estados Unidos, gerando um cenário de maior incerteza para o comércio bilateral.

Detalhamento do impacto das tarifas nos produtos brasileiros exportados para os EUA

As exportações brasileiras para os Estados Unidos foram distribuídas em diferentes categorias de tarifas. De acordo com o governo brasileiro, 52,7% das exportações, totalizando US$ 21,3 bilhões, permanecem fora das novas sobretaxas, sujeitas apenas às tarifas ordinárias de importação. Outros 24,2% (US$ 9,8 bilhões) continuam sob tarifas setoriais já existentes, conhecidas como Seção 232, que se refere a riscos à segurança nacional.

A parcela mais impactada diretamente pelas novas medidas é de 16,5% das exportações, avaliada em US$ 6,6 bilhões, que agora enfrentam a tarifa acumulada de 37,5%. Há também uma fatia de 4,7% (US$ 1,9 bilhão) tributada em 12,5%, e 1,9% (US$ 800 milhões) sujeita apenas à sobretaxa de 25%. Produtos essenciais como café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, ferro fundido, grande parte da celulose e diversos produtos químicos, felizmente, seguem sem as novas sobretaxas.

Entendendo as bases legais das novas tarifas americanas: Seção 301 e Seção 232

As novas tarifas americanas se baseiam principalmente na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974. Este dispositivo legal permite que Washington investigue práticas comerciais de outros países consideradas prejudiciais aos interesses americanos e imponha medidas de retaliação, como tarifas adicionais. O Brasil foi alvo de duas investigações sob esta seção.

A primeira investigação foi específica contra o Brasil, resultando na sobretaxa adicional de 25% para certos produtos. A segunda investigação abordou políticas relacionadas ao combate ao trabalho forçado em cadeias globais de suprimentos, onde o Brasil, junto com outras 40 economias, recebeu uma alíquota de 12,5%. É importante notar que as tarifas da Seção 232, que visam a segurança nacional e afetam setores inteiros, não se acumulam com as novas sobretaxas da Seção 301.

Comércio bilateral em desaceleração e o cenário de incertezas

O aumento das tarifas ocorre em um momento de perda de ritmo no comércio entre Brasil e Estados Unidos. Após atingir um pico de US$ 40,4 bilhões em exportações brasileiras para os EUA em 2024, as vendas registraram queda em 2025 e continuaram a recuar em 2026. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 17,4 bilhões, uma retração de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os principais setores que apresentaram recuo nas exportações foram o petróleo bruto (-30,4%) e produtos semiacabados de ferro e aço (-21,7%). Como consequência, a participação dos Estados Unidos nas exportações totais brasileiras diminuiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. O governo brasileiro avalia que o aumento das tarifas reforça o ambiente de incerteza, marcado pela ampliação do uso de instrumentos tarifários por Washington.

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