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São Paulo descarta segundo caso suspeito de Ebola em 2024 após testes rigorosos; veja sintomas e transmissão

Segundo caso suspeito de Ebola é descartado em São Paulo após análise de amostras

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) anunciou o descarte do segundo caso suspeito de doença pelo vírus Ebola registrado no estado neste ano. A decisão foi tomada após a realização de análises de biologia molecular em duas amostras coletadas da paciente.

O caso foi identificado na quarta-feira (10), quando uma brasileira de 31 anos, que havia retornado recentemente da República Democrática do Congo (RDC), apresentou sintomas como febre e diarreia. A paciente foi prontamente transferida para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas (IIER), onde permanece internada com quadro clínico estável e recebendo tratamento para gastroenterocolite aguda.

A investigação laboratorial, conduzida pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL), utilizou técnicas avançadas como RT-qPCR e sequenciamento genômico para identificar a presença do material genético viral. Conforme o protocolo da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma nova coleta foi realizada após 72 horas do início dos sintomas, uma vez que a primeira amostra foi coletada antes desse período. Ambos os resultados foram negativos, confirmando o descarte do caso, conforme informação divulgada pela SES-SP.

Protocolo rigoroso garante segurança no diagnóstico

Adriana Bugno, diretora-geral do Instituto Adolfo Lutz, explicou a importância da coleta em diferentes períodos. “Um resultado negativo em amostra coletada antes de 72 horas do início dos sintomas não é suficiente para afastar a infecção. Nessa situação, o protocolo prevê uma nova coleta após esse período. As duas amostras apresentaram resultado negativo, atendendo ao critério laboratorial para o descarte do caso”, detalhou Bugno.

Este é o segundo caso suspeito de Ebola descartado em São Paulo em 2024. Em 1º de junho, um homem de 37 anos, que também havia viajado para a República Democrática do Congo, teve o caso considerado negativo após investigação. A vigilância ativa é fundamental para a detecção precoce e o manejo adequado de potenciais casos.

Vigilância intensificada e capacitação de profissionais

Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP, ressaltou a importância da investigação rápida de casos suspeitos. “Casos suspeitos precisam ser identificados e investigados com rapidez, mesmo quando o risco de introdução da doença é muito baixo. Isso permite adotar as medidas de assistência e biossegurança desde o primeiro atendimento e concluir o diagnóstico de forma segura”, afirmou.

O Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CVE-SP) iniciou a investigação de ambos os casos após os pacientes apresentarem critérios clínicos e epidemiológicos para serem classificados como suspeitos, incluindo histórico de viagem a áreas com transmissão ativa do vírus e sintomas característicos. As notificações foram comunicadas ao Ministério da Saúde.

Entendendo os sintomas e a transmissão do Ebola

A doença pelo vírus Ebola geralmente se manifesta de forma súbita, com sintomas como febre alta, dores de cabeça intensas, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Em casos graves, podem ocorrer manifestações hemorrágicas, choque e insuficiência de múltiplos órgãos.

Um indivíduo é considerado suspeito se, nos 21 dias anteriores ao início dos sintomas, esteve, residiu ou viajou para uma área com transmissão ativa da doença, ou veio de um país com circulação do vírus, e apresenta febre e/ou calafrios, acompanhados ou não de diarreia, vômitos ou manifestações hemorrágicas.

É crucial destacar que o vírus Ebola não é transmitido por via respiratória. A transmissão ocorre pelo contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas infectadas, e somente após o início dos sintomas. Não há transmissão durante o período de incubação, antes que os sintomas apareçam.

Ações de prevenção e informação são prioridade

Após a notificação do primeiro caso suspeito, a Secretaria de Estado da Saúde intensificou as ações de vigilância epidemiológica. Entre os dias 8 e 9 de junho, o CVE-SP promoveu um treinamento online para mais de 1,1 mil profissionais de saúde de todo o estado. A webconferência abordou temas como vigilância epidemiológica, fluxos de atendimento e notificação, biossegurança e resposta a casos suspeitos.

Em 3 de junho, a SES-SP atualizou sua Nota Informativa Conjunta sobre Ebola, oferecendo novas orientações para a identificação, notificação, investigação, manejo e monitoramento de casos suspeitos e seus contatos. O documento reforça que o risco de introdução da doença no Brasil e na América do Sul permanece muito baixo.

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