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Projeto Inovador em Noronha Usa Cannabis Medicinal para Transformar Vidas de Mães e Crianças Atípicas

Projeto em Fernando de Noronha Revoluciona Tratamento de Autismo e TDAH com Cannabis Medicinal e Apoio Integral a Mães

Em Fernando de Noronha, um projeto inovador tem mudado a realidade de mães e crianças atípicas. A iniciativa utiliza o canabidiol (CBD), um composto natural da cannabis, para auxiliar no tratamento de condições como Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Além do tratamento médico, o projeto foca no suporte psicológico e estrutural para as famílias, abordando as dificuldades de saúde pública enfrentadas na ilha.

A professora Rayane Dixie dos Santos, mãe solo de um menino com TEA e TDAH, relata a melhora significativa no comportamento do filho após iniciar o tratamento com CBD. As crises de agitação e agressividade diminuíram, proporcionando mais tranquilidade para a família. Rayane também destaca o alívio pessoal, com a redução de sua própria ansiedade e problemas de sono, resultado do apoio oferecido pelo projeto.

O Projeto Noronha, uma colaboração entre a Abecmed, a AMA-FN e a Administração Distrital da ilha, já realizou mutirões que ofereceram consultas médicas gratuitas e distribuição de óleos de canabidiol. Agora, a iniciativa avança para a construção de uma sede permanente, com o objetivo de criar uma rede de suporte contínuo para as famílias neurodivergentes, conforme divulgado pelas entidades envolvidas.

O Impacto Transformador do Canabidiol no Cotidiano das Famílias

O tratamento com canabidiol tem se mostrado uma alternativa eficaz para crianças com TEA e TDAH. O neurologista Eduardo de Sá Faveret explica que os canabinoides possuem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, benéficas para diversas condições neurológicas. No caso do autismo, o CBD auxilia no controle de sintomas como agressividade, insônia e agitação, além de reduzir a hipersensibilidade sensorial.

Um diferencial importante, segundo o psiquiatra Wilson Lessa Junior, é que o canabidiol não causa sedação ou sonolência excessiva, como outros medicamentos. Isso permite que as crianças permaneçam ativas e possam se beneficiar plenamente de terapias multidisciplinares, como fonoaudiologia e terapia ocupacional, essenciais para o desenvolvimento no espectro autista.

A Atenção Especial às Mães e o Combate à Sobrecarga Maternal

O projeto reconhece a imensa carga sobre as mães que cuidam de filhos atípicos. Ladislau Porto, um dos idealizadores, ressalta a importância de oferecer suporte também às mulheres: “Quando a mãe está em crise, ela não tem ninguém”. Por isso, o programa inclui atendimento e acompanhamento psicológico para as mães, abordando quadros de depressão e ansiedade decorrentes da sobrecarga.

Rebeca Allen, presidente da associação de mães de Fernando de Noronha, é um exemplo dessa atenção. Ela relata ter desenvolvido depressão e ansiedade generalizada devido ao cuidado intensivo com seu filho com TDAH e Transtorno do Processamento Sensorial. Após iniciar o tratamento com CBD, Rebeca notou melhora em seu controle de ansiedade e qualidade de sono, enquanto seu filho apresentou redução significativa na agressividade.

Desafios de Saúde Pública em Fernando de Noronha e a Solução Integrativa

A iniciativa surge em um contexto de desafios de saúde pública em Fernando de Noronha. A ilha possui uma única unidade médica de média complexidade, e casos mais graves exigem deslocamento para o continente, a 545 km de Recife. O isolamento geográfico e as dificuldades de acesso à saúde contribuem para altos índices de problemas psicológicos, como depressão e ansiedade, entre os moradores.

Um relatório do projeto indicou que 70,6% dos pacientes atendidos buscaram auxílio para questões de saúde mental, seguidas por neurodivergências e dores crônicas. Os sintomas mais relatados incluem ansiedade, insônia e dor crônica. Diante desse cenário, o Projeto Noronha busca não apenas tratar, mas também estudar o impacto social e econômico de suas intervenções, com o objetivo de gerar pesquisas e aprimorar o suporte às famílias atípicas na ilha.

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