Inflação oficial de janeiro fecha em 0,33%, indicando estabilidade e controle dentro das metas do governo.
A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou 0,33% em janeiro, mesmo patamar de dezembro. Este resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mantém o índice dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que varia entre 1,5% e 4,5%.
O acumulado em 12 meses, que agora totaliza 4,44%, permanece dentro do limite de tolerância, demonstrando um cenário de estabilidade nos preços. A variação de janeiro foi influenciada principalmente pela alta nos preços dos combustíveis, especialmente a gasolina, e pela queda na conta de energia elétrica.
A gasolina foi o principal vilão do mês, respondendo por 0,10 ponto percentual do índice, enquanto a energia elétrica, com uma queda de 2,73%, atuou como um importante fator de alívio, impactando negativamente em -0,11 ponto percentual. Esses dados, coletados em dez regiões metropolitanas e outras cidades, refletem o comportamento dos preços em todo o país.
Gasolina e ICMS: A Alta nos Combustíveis
O grupo de transportes apresentou o maior impacto positivo na inflação de janeiro, impulsionado pela alta de 2,14% nos combustíveis. A gasolina, em particular, registrou um aumento de 2,06%, sendo o item com maior pressão de alta no índice. Esse reajuste está diretamente ligado ao aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) estadual, que entrou em vigor no início do ano em todo o país.
Além da gasolina, outros combustíveis como o etanol (3,44%), óleo diesel (0,52%) e gás veicular (0,20%) também tiveram seus preços elevados. Embora a Petrobras tenha anunciado uma redução de 5,2% no preço da gasolina no final de janeiro, o impacto dessa medida no bolso do consumidor ainda será monitorado.
O transporte urbano também contribuiu para o aumento, com tarifas de ônibus subindo em seis capitais. Em contrapartida, transportes por aplicativo (-17,23%) e passagens aéreas (-8,9%) apresentaram quedas significativas, ajudando a moderar o impacto geral do grupo de transportes.
Conta de Luz Mais Barata Traz Alívio
Na contramão da alta dos combustíveis, o grupo habitação apresentou uma queda de 0,11 ponto percentual, graças à redução de 2,73% na energia elétrica residencial. A principal razão para essa diminuição foi a mudança na bandeira tarifária, que passou de amarela em dezembro para verde em janeiro.
A bandeira verde não impõe cobranças adicionais na conta de luz, diferentemente da bandeira amarela, que adicionava R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Essa alteração representou um alívio importante para o orçamento das famílias brasileiras.
Alimentos: Inflação Controlada, Mas com Destaques de Alta
O grupo alimentação, que possui o maior peso na cesta de consumo das famílias, subiu apenas 0,23% em janeiro, o menor índice desde 2006. Essa desaceleração é vista como positiva, especialmente considerando a importância deste grupo para o orçamento familiar, que representa mais de um quinto dos gastos.
Alimentos consumidos em casa tiveram alta de 0,10%, com destaque para a queda nos preços do leite longa vida (-5,59%) e ovos de galinha (-4,48%), impulsionada pelo aumento da produção e estoques. No entanto, alguns itens como tomate (20,52%) e carnes (0,84%) apresentaram elevações significativas.
A alimentação fora de casa, por sua vez, registrou uma alta de 0,55%, com refeições subindo 0,66% e lanches 0,27%. Fatores como condições climáticas e a queda do dólar contribuíram para o controle geral dos preços dos alimentos.
Índice de Difusão e Preços Monitorados
O índice de difusão, que mede a abrangência da inflação, ficou em 64% em janeiro, um leve aumento em relação aos 60% de dezembro. Isso indica que uma parcela maior de produtos e serviços teve seus preços reajustados.
Os preços monitorados, que incluem itens como combustíveis e tarifas públicas, apresentaram uma alta de 0,53%, acumulando 7,48% em 12 meses. O grupo de serviços, por outro lado, mostrou uma desaceleração, com alta de 0,10% em janeiro, a menor desde junho de 2024.
As instituições financeiras consultadas pelo Boletim Focus, do Banco Central, estimam que o IPCA encerre o ano em 3,97%, reforçando a expectativa de que a inflação permaneça dentro da meta estabelecida pelo governo.
