Segunda-feira, 27 de Julho de 2026 às 19:39
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Flip 2026 explode em público com 40 mil pessoas, superando 2025 mesmo com cortes de verba, celebrando Orides Fontela e diversidade global

Flip 2026 atrai multidão recorde e celebra legado de Orides Fontela com programação vibrante

A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), realizada de 22 a 26 de julho, registrou um público expressivo de 40 mil pessoas. Este número representa um aumento de 14% em relação ao ano anterior, consolidando a Flip como um dos eventos literários mais importantes do país.

O sucesso de público ocorreu mesmo diante de uma significativa redução no investimento privado, que caiu de R$ 10,1 milhões em 2025 para R$ 5,25 milhões em 2026. A organização do evento comemorou a alta ocupação do Centro Histórico de Paraty e das ruas da cidade, demonstrando a força e o apelo da festa.

A organização informou que ainda está em processo de captação de recursos para cobrir os custos desta 24ª edição, com expectativa de finalizar até dezembro. Os dados foram divulgados pela organização do evento.

Orides Fontela: A Voz Invisível Que Ganha o Palco da Flip

Este ano, a Flip prestou uma merecida homenagem à poeta Orides Fontela (1940-1998). Sua obra, muitas vezes invisibilizada durante sua vida e mesmo após sua morte, foi celebrada, apresentando sua poesia a um público mais amplo e reconhecendo sua inegável grandeza literária.

A programação principal contou com 21 mesas de debate, além de diversas atividades espalhadas pela charmosa cidade histórica. Um dos destaques foi o aumento no número de Casas Parceiras da Flip, que saltaram de 35 para 46, oferecendo uma programação gratuita e diversificada.

Esses espaços receberam nomes renomados como Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Cidinha da Silva, Paulliny Tort, Socorro Acioli, Cármen Lúcia, Milton Hatoum, Carla Madeira e Itamar Vieira Junior, enriquecendo ainda mais a experiência dos participantes.

Diálogos sobre o Apagamento Histórico e a Poesia Brasileira

Em sintonia com a trajetória de Orides Fontela, a mesa “Inesquecíveis: Quatro Séculos de Poetas Brasileiras” reuniu a autora Ana Rüsche. O livro que deu nome à mesa oferece um panorama da poesia brasileira escrita por mulheres, desde o século 18 até as primeiras décadas do século 21, abordando o apagamento histórico que muitas enfrentaram.

A obra destaca a importância de resgatar e dar visibilidade a essas vozes, promovendo um debate crucial sobre a representatividade na literatura brasileira.

Diversidade Global e Reflexões Contemporâneas na Flip 2026

A forte presença de autores internacionais, com uma diversidade geográfica ampliada, foi uma marca registrada desta edição da Flip. Segundo a curadoria, o “desenraizamento” presente nas obras dos autores reflete o momento político contemporâneo e a “bem-vinda instabilidade da palavra”, característica da poesia.

Nomes como Hisham Matar, de origem líbia e autor de “O Homem que Viu o Rei”, e a luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida, que aborda a experiência diaspórica africana, trouxeram perspectivas globais e multifacetadas para os debates.

A ativista Angela Davis também marcou presença na programação paralela, em uma mesa de conversa no Sesc Caboré. Outros destaques internacionais incluíram a mauriciana Nathacha Appanah, a congolesa Ève Guerra, a argentina Julieta Correa, a catalã Eva Baltasar, a alemã Carmen Stephan, a inglesa Zadie Smith, o argelino Kamel Daoud e o guatemalteco Eduardo Halfon.

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