Brasil e Coreia do Sul unem forças para destravar acordo comercial e ampliar cooperação em minerais críticos
O Brasil e a Coreia do Sul deram um passo significativo para aprofundar as relações bilaterais e impulsionar o comércio. Os governos anunciaram a criação de um grupo de trabalho conjunto, com o objetivo de superar entraves e reaquecer as negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul. A iniciativa visa identificar e solucionar pontos de divergência que possam impedir o avanço das discussões.
A decisão foi comunicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após encontro com o presidente sul-coreano, Lee Jae-Myung, em Brasília. Segundo Lula, o grupo será coordenado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, com a missão de mapear as “sensibilidades” de ambos os lados e garantir que elas não se tornem obstáculos intransponíveis para a concretização do acordo.
O presidente sul-coreano, por sua vez, destacou o potencial benéfico de tal acordo para a indústria de seu país e para o Brasil, especialmente no que diz respeito ao acesso ao mercado asiático. Ele ressaltou a importância de fortalecer essa parceria em um cenário global de “incertezas no âmbito comercial”, como informado pelo portal g1.
Grupo de Trabalho para destravar acordo Mercosul-Coreia
A formação do grupo de trabalho representa um esforço concentrado para dar celeridade às negociações do acordo entre o Mercosul e a Coreia do Sul. O presidente Lula enfatizou que a intenção é “identificar sensibilidades dos dois lados e evitar que elas sejam um empecilho para a retomada das negociações”. A expectativa é que este grupo, sob a coordenação de Geraldo Alckmin, promova um diálogo mais efetivo e encontre soluções pragmáticas.
O presidente sul-coreano, Lee Jae-Myung, reforçou a urgência e os benefícios esperados da parceria. Ele afirmou que “no momento em que há muitas incertezas no âmbito comercial, o acordo entre Brasil e Coreia não pode mais esperar. Ele é para agora”. A visão é que o acordo abrirá “maior oportunidade” para empresas coreanas no mercado sul-americano e oferecerá uma “nova perspectiva ao mercado asiático para o Brasil, via Coreia”.
Cooperação estratégica em minerais críticos
Além do avanço nas negociações comerciais, Brasil e Coreia do Sul assinaram acordos em diversas áreas, incluindo defesa, educação e energia. Um ponto de destaque foi a discussão sobre minerais críticos, recursos essenciais para a indústria tecnológica e a transição energética. O presidente sul-coreano ressaltou a abundância desses minerais no Brasil.
“Como se sabe, o Brasil é um dos principais detentores dos minerais críticos”, declarou Jae-Myung. Ele e o presidente Lula “concordaram em expandir a cooperação em todo o ciclo de vida dos minerais críticos na cadeia de suprimento desses minerais”. O objetivo é “criar uma base estável de oferta, fortalecendo a cooperação mútua de maneira benéfica”, conforme divulgado.
Ampliação da cooperação em diversas áreas
A parceria entre Brasil e Coreia do Sul se estende a outros setores importantes. Foram firmados acordos para intercâmbio de experiências em políticas educacionais e aproximação entre instituições de ensino. Um memorando de entendimento foi assinado para cooperação em atividades espaciais pacíficas, e outro acordo visa promover pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor industrial.
Na área do esporte, os países também formalizaram um acordo para intercâmbio de atletas e especialistas, além do compartilhamento de experiências em políticas públicas. A visita do presidente sul-coreano incluiu também planos para visitar São Paulo, onde reside a maior comunidade coreana na América Latina, com mais de 50 mil pessoas.
Compromisso com a paz e a democracia
Em suas declarações conjuntas, os presidentes Lula e Lee Jae-Myung expressaram forte compromisso com a solução pacífica de conflitos e a defesa da democracia. Lula destacou a importância de “construir um mundo regido pelo diálogo, pelo respeito entre as nações e pelo fortalecimento do multilateralismo”.
O presidente sul-coreano reiterou a crença de seu governo “que é importante a paz para termos segurança. Sem a necessidade de luta ou guerra”. Ele afirmou que o presidente Lula “concorda conosco nesse sentido”, reforçando a sintonia entre os líderes quanto à busca por um cenário global mais estável e pacífico.
