Terça-feira, 15 de Setembro de 2026 às 16:33
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Fenaj alerta: ‘TikTokização’ e crise sufocam propostas de campanha, esvaziando debate eleitoral no Brasil

Fenaj alerta para ‘tiktokização’ e crise que sufocam propostas de campanha eleitoral no Brasil

O debate público sobre o futuro do Brasil enfrenta um cenário preocupante, marcado pela ausência de discussões sobre propostas estruturais. Segundo Samira de Castro, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a campanha eleitoral tem sido dominada por uma lógica superficial, onde a busca por audiência instantânea e o marketing político de baixo impacto ofuscam os problemas reais do país.

A dirigente critica o que chama de “tiktokização” das campanhas, onde a profundidade é substituída por conteúdos efêmeros e de apelo rápido. Em tempos de atenção fragmentada, poucos candidatos se mostram dispostos a um debate sério e aprofundado sobre os desafios nacionais.

A crise política e institucional, envolvendo denúncias e investigações, tem monopolizado o noticiário, empurrando para segundo plano temas essenciais para a sociedade. A Fenaj defende um jornalismo que vá além da repercussão imediata e que promova a cidadania através da informação de interesse público. Conforme aponta Samira de Castro em entrevista à Agência Brasil, a imprensa precisa insistir em pautas mais profundas, mesmo diante da atratividade das crises para a audiência.

Crise Institucional Domina o Debate, Afastando Discussões Essenciais

A atual crise político-institucional, que se alastra para além do Poder Judiciário e envolve outras instituições como a Polícia Federal, tem dominado as discussões. Samira de Castro expressa preocupação, pois acredita que essa crise continuará a pautar o noticiário, prejudicando o debate eleitoral.

A presidenta da Fenaj critica a “superficialidade” com que escândalos e crises são tratados pela mídia, o que ela denomina de “jornalismo declaratário”. Esse modelo foca no “quem disse o quê”, sem aprofundar as causas e consequências dos fatos.

Como resultado, a atenção se volta para a crise institucional, deixando em segundo plano as propostas dos candidatos, as demandas da sociedade civil e as pautas nacionais urgentes. Essa dinâmica, impulsionada pela busca por audiência, impede que a população debata programas de governo e candidaturas com a profundidade necessária.

‘TikTokização’ das Campanhas: Marketing Superficial em Detrimento de Propostas Reais

Samira de Castro descreve um “processo violento de ‘tiktokização’ da campanha eleitoral”, onde a comunicação se resume a “dancinha” e a conteúdos efêmeros. Essa superficialidade empobrece o debate e afasta os candidatos da discussão de problemas reais do Brasil.

A dirigente ressalta que, em vez de apresentar soluções concretas, muitos candidatos optam por uma lógica de marketing superficial, alinhada à velocidade das redes sociais. Isso gera um engajamento momentâneo, mas sem aprofundamento, o que prejudica a relevância da própria imprensa e o exercício da cidadania.

A falta de debate aprofundado sobre temas cruciais impede que a sociedade civil organizada tenha suas proposições contempladas nas plataformas políticas. A Fenaj defende que a mídia vá além do “quem disse o quê” e ouça a população, que é diretamente afetada pelas decisões políticas.

Jornalismo em Crise: O Papel da Mídia na Discussão de Problemas Estruturais

Diante da gravidade da crise e da superficialidade do debate eleitoral, a Fenaj defende que a mídia insista em pautar os debates políticos e os problemas estruturais do país. É fundamental cobrir as crises, pois elas rendem audiência, mas é igualmente necessário manter uma agenda própria para as discussões políticas.

A presidenta da Fenaj enfatiza a necessidade de uma visão de longo prazo, que informe a sociedade sobre a realidade nacional e os desafios futuros, especialmente nas áreas econômica, social e geopolítica. A discussão desses temas deve ser feita com fontes plurais e confiáveis, evitando vieses editoriais.

A imprensa tem o papel social de compartilhar informações de relevante interesse público, capazes de gerar cidadania. No entanto, muitos veículos se perdem na lógica de competir com as redes sociais, buscando atenção momentânea em detrimento da profundidade, o que, em última instância, prejudica a capacidade da mídia de se manter relevante e de cumprir sua função social.

Temas Urgentes Ignorados em Meio à Superficialidade do Debate Eleitoral

Samira de Castro aponta que temas como a questão climática e a exploração de terras raras são urgentes e deveriam estar no centro do debate eleitoral. A forma como as candidaturas enxergam as mudanças climáticas e suas consequências, assim como as estratégias para a exploração de recursos minerais, são pautas essenciais.

Outro ponto de interesse mencionado pela dirigente é a atração de data centers, um tema complexo e controverso que exige discussão aprofundada. A falta de debate sobre esses e outros inúmeros temas na ordem do dia demonstra o quão esvaziado o atual processo eleitoral se tornou, segundo a Fenaj.

A Federação Nacional dos Jornalistas reforça que a cobertura jornalística deve ir além da repercussão de fatos que mobilizam determinados setores políticos e econômicos. É preciso perceber o papel do jornalismo nesse momento e agir com responsabilidade, cumprindo sua função social de informar e promover o debate público qualificado.

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