Terça-feira, 15 de Setembro de 2026 às 17:56
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Brasil Precisa Dobrar Investimentos em Infraestrutura para Zerar Déficit Histórico, Alerta CNI

Brasil precisa de mais que o dobro em investimentos de infraestrutura para suprir déficit histórico, aponta estudo da CNI.

O Brasil enfrenta um desafio monumental em sua infraestrutura, necessitando de um aumento expressivo nos investimentos para superar um déficit histórico e se alinhar aos padrões globais. Um estudo recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) detalha a urgência e propõe um novo modelo de financiamento que privilegia a participação do capital privado.

A análise revela que, para alcançar esse objetivo, o país deve elevar seus investimentos em infraestrutura para 4,65% do Produto Interno Bruto (PIB) anualmente. Isso representa um salto considerável em relação aos investimentos atuais, que em 2024 atingiram R$ 266,8 bilhões, equivalentes a 2,27% do PIB. A CNI estima que o montante necessário anual seja de cerca de R$ 550 bilhões.

Esses investimentos precisariam ser mantidos por um período mínimo de duas décadas para que o Brasil consiga, de fato, reduzir o gap existente. O estudo, intitulado “Financiamento dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil”, foi divulgado pela CNI e oferece um panorama detalhado das necessidades e caminhos para o futuro do setor, conforme informação divulgada pela entidade.

Mudança no Financiamento: Setor Privado Ganha Protagonismo

Em 2024, a composição dos investimentos em infraestrutura mostrou uma clara predominância do setor privado, que respondeu por R$ 188,1 bilhões, representando 70,5% do total. Em contrapartida, os investimentos públicos somaram R$ 78,6 bilhões, com a maior parte vinda de estados e municípios. Essa dinâmica reflete uma tendência de longo prazo, onde a participação privada tem crescido significativamente.

O estudo da CNI evidencia uma transformação estrutural no financiamento da infraestrutura brasileira entre 2010 e 2024. Os recursos privados, em valores corrigidos para 2024, saltaram de uma média de R$ 88,6 bilhões (período 2010-2014) para R$ 184,5 bilhões no ano passado. Em paralelo, os recursos públicos registraram uma queda, passando de R$ 208,5 bilhões para R$ 107 bilhões no mesmo intervalo.

Essa mudança é ainda mais notável quando se analisa a participação percentual: as fontes privadas passaram de 29,3% entre 2010 e 2014 para impressionantes 61,5% em 2024. Instituições multilaterais contribuíram com R$ 8,4 bilhões em 2024, um valor menor comparado às outras fontes.

CNI Propõe Novo Regime de Financiamento e Estabilidade

Para a CNI, nenhuma fonte de financiamento isoladamente é suficiente para atender às demandas do país. A entidade propõe um novo regime que combine de forma estratégica recursos públicos e privados, além de fortalecer o mercado de capitais e criar um ambiente propício para investimentos de longo prazo. O presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatiza a importância da **estabilidade econômica e institucional** para atrair capital.

“O Brasil precisa de **responsabilidade fiscal, instituições sólidas e segurança jurídica** para criar condições de mobilizar mais recursos privados para o setor de infraestrutura, sem abrir mão do papel estratégico dos investimentos públicos”, declarou Alban. Ele também ressalta a necessidade de uma **estratégia de Estado** que garanta a continuidade dos projetos, pois a modernização da infraestrutura demanda um esforço contínuo e de longo prazo, transcendendo governos.

Medidas Essenciais para Ampliar Investimentos em Infraestrutura

O novo regime de financiamento proposto pela CNI inclui medidas cruciais para destravar o potencial de investimentos em infraestrutura. Entre elas, destacam-se a **estabilidade macroeconômica e fiscal**, que são fundamentais para reduzir riscos e o custo do capital. O fortalecimento do **mercado de capitais**, com a atração de mais investidores institucionais, também é um pilar importante.

A expansão do crédito privado, com modelos que distribuam riscos de forma mais eficiente, e a criação de uma carteira maior de projetos estruturados para concessões e parcerias são outras propostas. Garantir **segurança jurídica e previsibilidade regulatória**, além da autonomia técnica das agências reguladoras, são vistos como fatores indispensáveis para atrair e manter os investimentos necessários para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira.

Lições Internacionais e o Papel do BNDES

O estudo da CNI analisou experiências de países como Reino Unido, Chile, Austrália, México, Espanha, Índia e França para identificar boas práticas. Apesar das diferenças em seus modelos, a CNI observou fatores comuns em nações que expandiram sua capacidade de financiamento em infraestrutura: estabilidade econômica, instituições confiáveis, previsibilidade regulatória, mercado de capitais desenvolvido e instrumentos de longo prazo.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outras instituições públicas de desenvolvimento são apontados como essenciais para reduzir riscos, estruturar projetos e mobilizar capital privado. A CNI sugere que os recursos públicos devem atuar de forma estratégica, **catalisando o investimento privado**, e não substituindo-o.

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