Terça-feira, 18 de Agosto de 2026 às 23:10
ADVERTISEMENT

Alerta de Ciberguerra: Analistas Temem Ação Cibernética dos EUA e Big Techs para Influenciar Eleições Brasileiras de Outubro

EUA e Big Techs Sob Suspeita de Interferência Cibernética nas Eleições Brasileiras

Analistas de relações internacionais, geopolítica e tecnologia de informação lançam um alerta sobre o risco iminente de ações cibernéticas orquestradas pelos Estados Unidos e manipulação por meio de grandes empresas de tecnologia (bigtechs) com o objetivo de influenciar as eleições gerais de outubro no Brasil.

A escalada de medidas adotadas pelo governo de Donald Trump contra o Brasil, que incluem tarifas e cancelamento de vistos, sugere um cenário de novas ações, especialmente no campo cibernético, conforme avaliação de especialistas consultados pela Agência Brasil.

Essas preocupações se intensificam com um memorando assinado por Trump, que autoriza o uso de bigtechs em operações de “vigilância cibernética” e “efeitos cibernéticos”, abrindo portas para interferências sem precedentes no processo eleitoral brasileiro. A informação foi divulgada pelo editor do portal Código Aberto, Reynaldo Aragon.

Memorando de Trump Abre Portas para Espionagem e Manipulação Cibernética

O pesquisador Reynaldo Aragon descreve os efeitos do memorando como “assustadores”, indicando a possibilidade de “espionagem e ação de hackeamento de altíssimo nível e muito profundo”. Segundo ele, há o risco de acesso direto a perfis de cidadãos para a criação de relatórios e dossiês que poderiam favorecer ou prejudicar determinados candidatos.

Embora o memorando alegue combater o crime transnacional cibernético, ele prevê a parceria entre a Casa Branca e empresas privadas para ações que incluem “acesso a tais sistemas de informação sem autorização do proprietário ou operador ou excedendo o acesso autorizado”. Outra atividade prevista é a “Operação de Efeitos Cibernético”, que autoriza manipulação, interrupção ou destruição de sistemas e infraestruturas de informação.

Brasil Precisa Fortalecer sua Infraestrutura Digital

Diante desse cenário, o especialista Reynaldo Aragon defende a necessidade urgente de o Brasil desenvolver sua própria infraestrutura digital. Ele ressalta que “todos os sistemas sensíveis do Estado brasileiro estão na mão de sistemas de empresas dos EUA”, o que representa um ponto de vulnerabilidade significativo.

Aragon alerta que, diferentemente de interferências públicas, as ações cibernéticas podem ser realizadas de forma oculta, “subterrânea”, sem deixar rastros da autoria. O impulsionamento de perfis em redes sociais é apenas uma das possibilidades, mas o risco é considerado “sistêmico e estrutural”.

Descredibilização do Sistema Eleitoral como Objetivo

O professor de história e especialista em geopolítica, Euclides Vasconcelos, afirma que “sem dúvida nenhuma” podemos esperar novas ações dos EUA para interferir nas eleições brasileiras, incluindo tentativas de descredibilizar o sistema eleitoral.

Vasconcelos explica que as bigtechs atuam como “empresas ligadas a Estados, ligadas a governos, que têm esforços e que conseguem mobilizar, canalizar e influenciar de maneira muito direta certos recortes demográficos da população”. Ele cita o exemplo da imigração em massa para Ceuta, influenciada por notícias falsas disseminadas nas redes sociais.

Nova Doutrina de Segurança dos EUA e a Busca por Proeminência Regional

Por trás dessas ações, segundo Euclides Vasconcelos, está a nova doutrina de segurança dos EUA, que prevê a “proeminência” do país sobre toda a América Latina. O objetivo seria consolidar o continente com governos alinhados aos interesses americanos, moldando a região.

Vasconcelos lembra que o presidente Donald Trump indicou a eleição no Brasil como mais um teste para a geopolítica dos EUA na América Latina. Um vídeo divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA reforça a ideia de que a “dominação” americana na região não poderá mais ser questionada.

O Brasil é considerado uma peça-chave nesse contexto, pois sempre foi visto pelos EUA como o único país capaz de desafiar a dominação estadunidense em seu “hemisfério”, o que aumenta a preocupação com a soberania e a integridade do processo eleitoral brasileiro.

Menu