Terça-feira, 18 de Agosto de 2026 às 08:06
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Filho de Mãe Bernadete Desiste de Candidatura a Deputado Federal na BA por Medo; Família Pede Segurança

Jurandy Pacífico, filho da ialorixá Mãe Bernadete, renuncia à disputa por vaga na Câmara Federal na Bahia, alegando motivos de segurança e apelo familiar.

A violência que ceifou a vida da líder quilombola Mãe Bernadete há três anos, e também de seu filho Binho do Quilombo, continua a gerar medo e incerteza na família. Diante de possíveis ameaças e do temor de ser a próxima vítima, Jurandy Pacífico, outro filho da ialorixá, anunciou sua desistência da candidatura a deputado federal pela Bahia nas eleições deste ano.

A decisão, comunicada com exclusividade à Rádio Nacional antes mesmo de ser formalizada perante a Justiça Eleitoral, foi motivada por apelos familiares e pela necessidade de priorizar a segurança. Jurandy Pacífico expressou que, apesar de seu objetivo ser a melhoria das condições de vida das comunidades quilombolas, a preservação da vida se tornou primordial.

A renúncia foi oficializada por meio de uma carta escrita à próprio punho e enviada à Justiça Eleitoral. Nela, Jurandy classifica a decisão como dolorosa, mas reafirma seu compromisso com os povos quilombolas e tradicionais, afirmando que a luta continuará mesmo sem a candidatura.

Segurança Familiar e Ameaças São Motivos da Desistência

Em suas declarações, Jurandy Pacífico afirmou: “Por motivo de segurança, pela família está me orientando para não sair, que eu não posso adentrar todos os lugares.” Ele explicou que, após ouvir familiares, amigos e companheiros do movimento quilombola, compreendeu que continuar com a candidatura poderia representar uma exposição ainda maior a riscos.

A violência relacionada à luta pela terra e pelos direitos dos quilombolas já vitimou sua mãe, Mãe Bernadete, assassinada em 2019, e seu irmão, Binho do Quilombo. Esse histórico de violência pesa na decisão de Jurandy de priorizar a segurança de sua família.

Compromisso com a Luta Quilombola Continua

Apesar de ter deixado a disputa eleitoral, Jurandy Pacífico ressaltou em sua carta de renúncia que a luta pelos direitos dos povos quilombolas e tradicionais não será abandonada. “A candidatura pode parar, mas a luta continua. Desistir dessa candidatura nunca foi e nunca será desistir da luta por segurança, seguimos em frente”, declarou.

Ele enfatizou que a decisão pela segurança, pela família e pela sobrevivência é mais uma prova de luta e que o legado de sua mãe e irmão continuará. “Hoje eu deixo a disputa eleitoral, mas nunca vamos deixar nossos princípios e nossos ideais”, completou Jurandy.

Secretário de Justiça da Bahia Lamenta a Decisão

O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, expressou tristeza com a notícia da desistência de Jurandy Pacífico. Ele destacou que é lamentável que um defensor de direitos humanos se sinta ameaçado e desestimulado a participar do processo eleitoral.

Freitas assegurou que a Polícia Militar da Bahia possui uma estratégia de segurança permanente para o filho e o neto de Mãe Bernadete desde o ocorrido. O secretário se colocou à disposição de todos os defensores de direitos humanos para garantir a proteção e a segurança necessárias para a participação política livre e desimpedida.

Contexto de Violência e Legado Familiar

Jurandy Pacífico é o único filho vivo de Mãe Bernadete, uma figura central na luta pelos direitos dos povos quilombolas e tradicionalmente conhecida por sua sabedoria e liderança.

A decisão de Jurandy Pacífico reflete o delicado cenário de violência e intimidação que afeta lideranças comunitárias na Bahia, especialmente aquelas envolvidas na defesa de territórios quilombolas. A renúncia, embora dolorosa, reforça a importância da preservação da vida como um ato de resistência e continuidade da luta.

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