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Festival em Planaltina DF: Hip Hop e Poesia Feminina Combatem a Escala 6×1 e a Violência Contra a Mulher

Planaltina (DF) sedia festival que usa o hip hop como ferramenta de conscientização social e empoderamento feminino.

O Festival Quebradas chega à sua terceira edição em Planaltina, no Distrito Federal, neste sábado (30), com uma programação rica e engajada. O evento gratuito promete unir arte e luta social, dando voz a temas urgentes como a exaustão da escala de trabalho 6×1 e o enfrentamento à violência contra as mulheres.

A iniciativa busca oferecer um espaço de expressão e reflexão para a comunidade, especialmente para as mulheres da periferia, que muitas vezes lidam com jornadas de trabalho desgastantes e a constante ameaça da violência. A proposta é clara: usar a cultura hip hop para promover mudanças e fortalecer os laços comunitários.

A rapper MC Aline, por exemplo, apresentará seus versos que retratam a dura rotina das trabalhadoras e a esperança por um futuro com mais dignidade. Sua arte é um reflexo das vivências de quem busca superar desafios diários. Conforme informado na divulgação do evento, a artista, que nasceu e cresceu em Planaltina, encontra nas batalhas de rima um meio poderoso de abordar essas questões sociais e o feminismo.

A força do Hip Hop e a Voz das Mulheres

Aline Florêncio da Silva, conhecida como MC Aline, de 27 anos, expressa em suas músicas a realidade do “correr” das mulheres nas periferias. Seus versos, como “Tô dentro do busão às quatro da manhã. E amanhã é a mesma fita, o dia se repete, o looping é infinito”, capturam a essência da luta contra a escala 6×1, jornada de trabalho que causa exaustão e impacta diretamente a vida das trabalhadoras.

“Nós, mulheres do hip hop, passamos por muitas dificuldades desde sempre. Então a temática do feminismo tem que ser abordada”, afirma a MC. Ela acredita que a arte tem um papel fundamental em sensibilizar a sociedade sobre direitos sociais e a necessidade de combater a violência de gênero. O Festival Quebradas se alinha a essa visão, promovendo a arte como motor de transformação.

Proposta Educativa e Lançamentos Importantes

Ravena Carmo, organizadora do festival, professora e pesquisadora das “quebradas”, destaca a proposta educativa do evento. “É a terceira edição do evento”, comenta. Ela ressalta que o festival oferece um espaço crucial para discutir direitos e o enfrentamento à violência contra a mulher, temas que ganham destaque em sua programação.

A programação inclui oficinas gratuitas de grafite e escrita criativa, com atividades voltadas também para crianças. Um dos momentos mais aguardados é o lançamento de um livro de poesias contra o feminicídio, com trabalhos enviados pela própria comunidade. A presença confirmada da professora Vera Eunice de Jesus, filha da icônica escritora Carolina Maria de Jesus, torna este lançamento ainda mais especial.

Saúde Mental e Resistência nas Quebradas

Outro lançamento importante é a revista “Saúde nas Quebradas”, desenvolvida com o apoio da Fiocruz. A publicação aborda temas de saúde mental, com foco na juventude periférica, e foi elaborada a partir da educação popular de forma colaborativa. “Foi feita a partir da educação popular de forma colaborativa com temas relacionados à saúde mental, principalmente da juventude periférica”, explica Ravena Carmo.

O evento também promoverá a “Batalha das Gurias”, um espaço dedicado às rimas com temas diversos. O festival acontecerá na praça da pista de skate, o Half, no Jardim Roriz. “O festival não é apenas um evento de entretenimento, mas um manifesto de resistência”, conclui a organizadora, reforçando o caráter político e social da iniciativa.

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