Quinta-feira, 10 de Setembro de 2026 às 09:57
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Voto Consciente: Educação e Oportunidades Moldam Escolhas de Moradores de Favelas do Rio nas Eleições

Educação como Prioridade: O Que Moradores de Favelas do Rio Buscam nas Urnas

Com 2,1 milhões de eleitores vivendo em favelas no estado do Rio de Janeiro, as próximas eleições representam um momento crucial para que essas comunidades expressem suas demandas prioritárias. Dados do IBGE de 2022 revelam que essas áreas, apesar de antigas, ainda enfrentam desafios significativos de urbanização e acesso a serviços públicos, evidenciando a desigualdade na presença do Estado.

Na cidade do Rio, 1,3 milhão de pessoas residem em favelas, onde a infraestrutura básica como saneamento e coleta de lixo ainda é precária. A professora Eblin Farage, especialista em favelas, destaca que essas regiões não são homogêneas, mas compartilham anseios comuns por melhorias.

A Agência Brasil ouviu moradores que apontam a educação, mobilidade, cultura, lazer, saúde e participação social como prioridades. A segurança, embora presente, é vista como reflexo da ausência de outras políticas públicas. Conforme informações divulgadas pela Agência Brasil, as demandas refletem um desejo por governantes que compreendam e dialoguem com a realidade local.

Educação e Mobilidade: Jovens Cobram Oportunidades e Acesso

Letícia Vitórya Guimarães, 16 anos, moradora do Complexo do Alemão, votará pela primeira vez e busca candidatos que se envolvam com pautas negras, direitos humanos e que saibam ouvir. Para ela, a educação é fundamental, assim como a melhoria da mobilidade urbana. A falta de transporte público eficiente dificulta o acesso a empregos e lazer, como ir à praia, um direito básico.

Ela critica programas como o Jovem Aprendiz, que, segundo ela, não cobrem os custos de transporte e alimentação, desestimulando a participação de jovens. “Os valores [de repasse] são baixos, hoje, R$ 20 não pagam nem uma quentinha”, afirma Letícia, ressaltando a necessidade de políticas mais robustas para inserir jovens no mercado de trabalho.

Emprego e Renda: Fim da Escala 6×1 e Qualificação Profissional em Foco

Isabelle Rodrigues Trindade, jornalista de 26 anos, moradora da Rocinha, busca oportunidades profissionais na sua área. Ela aponta o fim da escala de trabalho 6×1 como uma prioridade, pois a rotina dificulta a conciliação entre trabalho, família e estudo, especialmente para quem mora em favelas e enfrenta longos deslocamentos.

João*, 26 anos, que vive de bicos e é pai de duas filhas, prioriza cursos técnicos e profissionalizantes. Ele lamenta que muitas iniciativas educacionais são encerradas antes da conclusão, impedindo a qualificação. “Eu ainda queria estudar, mesmo sendo difícil [trabalhar e estudar]. Falar um português melhor e ter uma vida melhor”, pontua.

Inclusão e Combate ao Racismo: Demandas por Saúde e Educação Especial

João também cobra propostas para crianças com deficiência e autismo, destacando a necessidade de creches com mais mediadores. Sara Sant’anna, 24 anos, estudante de história e cria da Favela do Rodo, defende a instalação de centros culturais e polos de educação superior na região. Ela critica a limitação de cursos públicos próximos, como em Campo Grande.

O enfrentamento ao racismo é outra preocupação central. Em favelas cariocas, a população negra é majoritária. Hugo Oliveira, pesquisador da Galeria Providência, aponta que o racismo se manifesta na saúde, com casos de violência obstétrica contra mulheres negras, e nas abordagens policiais, que afetam desproporcionalmente jovens negros.

Segurança e Políticas Públicas: O Que Realmente Protege as Comunidades

Bruno Rafael Castilho Alves, 46 anos, que mantém um projeto social de muay thai na Cidade de Deus, critica discursos que exaltam a violência policial. Para ele, políticas públicas focadas em educação, saúde e esporte são medidas eficientes para combater a criminalidade. A população, segundo ele, demanda um combate inteligente, sem perdas de vidas inocentes.

Sara Sant’anna corrobora, afirmando que a segurança para os moradores de favela passa por melhorias na qualidade de vida. Ela relata experiências de violência policial, como ter a casa arrombada e policiais apontando armas para seu pai. As operações policiais, muitas vezes, fecham escolas e serviços públicos, impactando negativamente o cotidiano.

A professora Eblin Farage explica que a segurança pública tem um histórico de falhas no Rio de Janeiro, e os moradores não veem as operações policiais como proteção. Em contrapartida, políticas habitacionais, de mobilidade urbana e educação recentes são mais lembradas. Ela alerta para o risco de clientelismo e a importância de organizações sociais politizarem o cotidiano e defenderem direitos, em vez de perpetuarem relações nebulosas com grupos armados.

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