Vírus Sincicial Respiratório (VSR) representa um risco subestimado para idosos e pessoas com doenças crônicas, alertam especialistas.
O aumento de casos de síndromes respiratórias agudas graves (SRAG) tem gerado preocupação no Brasil, mas o vírus sincicial respiratório (VSR) surge como um agente infeccioso ainda pouco conhecido e com potencial perigoso, especialmente para idosos.
Dados recentes indicam que o VSR já é responsável por uma parcela significativa das SRAGs identificadas, e a expectativa é de que esse número cresça, com especialistas apontando que os números oficiais podem subestimar o real impacto da doença.
A atenção a este vírus é crucial, pois, diferentemente do que muitos pensam, o VSR não afeta apenas bebês, mas representa um risco considerável para a população adulta, sobretudo para aqueles com mais de 50 anos e com condições de saúde preexistentes. Conforme informações reunidas pelo Instituto Todos pela Saúde e dados do Ministério da Saúde, o VSR corresponde a uma parte expressiva dos casos de SRAG com identificação viral.
VSR: Um Perigo Crescente e Subestimado
Embora o VSR seja mais conhecido por causar bronquiolite em bebês, especialistas como a pneumologista Rosemeri Maurici, da UFSC, ressaltam que o risco para adultos e idosos é subestimado. A testagem para VSR em larga escala no Brasil é relativamente recente, o que dificulta a compreensão total do seu impacto.
“Muitos hospitais internam pacientes com síndrome respiratória aguda grave, e eles até morrem, sem saber qual o agente que causou, porque não testaram ou testaram fora do prazo que é identificável”, explica a médica, destacando a dificuldade diagnóstica em alguns cenários.
No primeiro trimestre deste ano, cerca de um terço dos casos de SRAG registrados tiveram o vírus causador identificado, e quase 17% nem sequer foram testados, segundo dados do Ministério da Saúde. Essa falta de identificação pode mascarar a real prevalência do VSR em adultos.
Idosos e Comorbidades: Grupos de Alto Risco
O envelhecimento natural, conhecido como imunosenescência, leva ao declínio do sistema imunológico, tornando os idosos mais suscetíveis a infecções. No Brasil, esse quadro é agravado pelo envelhecimento com doenças crônicas.
A geriatra Maisa Kairalla aponta que, além do avanço da idade, comorbidades como doenças cardiovasculares, diabetes e doenças respiratórias crônicas aumentam significativamente a vulnerabilidade ao VSR.
Pacientes idosos com VSR têm 2,7 vezes mais chance de desenvolver pneumonia e o dobro de chances de necessitar de UTI e intubação, além de maior risco de óbito, em comparação com a influenza, segundo dados da literatura médica apresentados por Kairalla.
Doenças Cardiovasculares e Diabetes: Agravantes para o VSR
O cardiologista Múcio Tavares, da FMUSP, alerta que mais de 60% dos casos graves de infecção pelo VSR ocorrem em pacientes com alguma doença cardiovascular. Infecções virais respiratórias podem desencadear eventos cardiovasculares e cerebrovasculares, como infarto e AVC, devido à inflamação sistêmica.
O endocrinologista Rodrigo Mendes destaca a vulnerabilidade de pacientes com diabetes. A alta concentração de glicose no sangue os torna mais suscetíveis a infecções e seus agravamentos, podendo desestabilizar quadros controlados e exigir tratamentos mais complexos.
Prevenção: A Importância da Vacinação
A vacinação é uma ferramenta fundamental na prevenção do VSR e do agravamento da infecção. Atualmente, no Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece vacina para gestantes, visando proteger os bebês nos primeiros meses de vida.
Para a população adulta, as vacinas contra o VSR estão disponíveis na rede privada. Entidades médicas recomendam a imunização para pessoas de 50 a 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir dos 70 anos.
A pneumologista Rosemeri Maurici sugere que as sociedades médicas indiquem grupos prioritários para a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), a fim de viabilizar a incorporação de novas vacinas no sistema público de saúde.
