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BRB em Crise: Bancários “Pagamos a Conta” da Salvação do Master, Diz Sindicato, e Mercado Reage com Desconfiança

BRB Sob Pressão: Crise Institucional Atinge Confiança e Empregos Após Escândalo Financeiro

A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, expôs um esquema de fraudes financeiras envolvendo os bancos BRB e Master. A confiança, ativo mais valioso do BRB, foi abalada, e as consequências reverberam no cotidiano dos quase 5 mil empregados da instituição pública do Distrito Federal.

O sindicato dos bancários relata um ambiente de trabalho estressante, com funcionários sendo convocados a prestar depoimentos sobre as negociações com o Master. Analistas de áreas-chave, que tiveram acesso às discussões, são os mais impactados, segundo o diretor do sindicato, Daniel Oliveira.

A tensão é reflexo de uma crise institucional sem precedentes na história do banco. Clientes buscam informações sobre a solidez da instituição, e os funcionários, além de lidar com a apreensão sobre seus empregos, precisam tranquilizar os correntistas e investidores. Conforme informações divulgadas pela Agência Brasil, o sindicato tem recebido relatos de um ambiente mais estressante do que o habitual.

Funcionários Assumem o Ônus da Crise e Cobram Respostas

Daniel Oliveira, diretor do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal e funcionário concursado do BRB desde 2008, afirmou à Agência Brasil que “Estamos todos, sociedade e trabalhadores, pagando a conta de uma decisão política de salvar o Master”. Ele ressalta que os funcionários sentem seus empregos ameaçados e são cobrados a dar satisfações sobre fatos que escapam de sua alçada.

O sindicalista descreve um sentimento de indignação e apatia entre os trabalhadores, especialmente porque, em sua visão, alguns funcionários já haviam apontado indícios de irregularidades nas negociações com o Master antes mesmo da divulgação pública pela Polícia Federal. O próprio sindicato, ao tomar conhecimento da compra e venda de carteira de créditos do Master em novembro de 2024, denunciou a operação ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários, por considerá-la danosa ao BRB.

Aposentados e Clientes Preocupados com o Futuro do BRB

A ansiedade também afeta cerca de 3 mil aposentados do BRB, cujos planos de saúde e previdência complementar dependem da saúde financeira do banco. A Previdência BRB tenta tranquilizar a todos, garantindo um patrimônio segregado de mais de R$ 4,39 bilhões. Contudo, a falta de transparência e a demora na apresentação de um balanço consolidado de 2025 geram insegurança.

O economista César Bergo, da UnB, critica a falta de divulgação do balanço de 2025, que sujeita o BRB a multas diárias do Banco Central e da CVM, ultrapassando os R$ 50 mil. “A falta de transparência, que é fundamental neste setor, gera insegurança entre os correntistas e investidores”, comentou Bergo, enfatizando que a situação afeta todo o sistema financeiro.

Expansão Paralisada e Futuro Incerto do Banco Público

Projetos estratégicos, como a expansão do banco para outras unidades da federação, foram paralisados. Cerca de 400 aprovados no concurso de 2022 aguardam convocação, agora condicionada à solução da crise. A governadora Celina Leão admitiu a possibilidade de fechar agências fora do DF, indicando que o banco voltará à sua vocação regional.

O diretor do sindicato, Daniel Oliveira, alerta que a exposição negativa na imprensa alimenta o discurso pró-privatização, podendo levar à venda de ativos por valores abaixo do mercado. “Periga eles assumirem de graça todas as contas de governos e de pessoas jurídicas que o banco detém”, ponderou.

Ações e Propostas para Superar a Crise

O economista César Bergo aponta quatro saídas para a crise: injeção de recursos públicos, empréstimos do FGC ou de outros bancos, federalização do BRB ou privatização. Ele ressalta que salvar o BRB é melhor que deixá-lo quebrar, e qualquer decisão deve ser anunciada rapidamente.

A governadora Celina Leão garantiu que o BRB não vai quebrar e que uma solução será apresentada em até 30 dias. No entanto, o prazo foi criticado pelo sindicato, que considera a capitalização do BRB imprescindível e uma decisão política. A liderança distrital, por sua vez, convocou o novo presidente do BRB, Nelson de Souza, para prestar esclarecimentos na Assembleia Legislativa, após sua ausência em reunião anterior.

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