Quinta-feira, 02 de Julho de 2026 às 13:34
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USP Cria Nanotecnologia Revolucionária para Tratar Doenças de Pele como Psoríase e Vitiligo com Precisão Molecular

Nanomedicina de Precisão: USP Desenvolve Tecnologia para Silenciar Genes Causadores de Doenças de Pele

Uma nova esperança surge para milhões de pessoas que sofrem com doenças de pele crônicas, como a psoríase e o vitiligo. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, desenvolveram uma plataforma tecnológica inovadora baseada em nanotecnologia. O objetivo é tratar essas condições com uma precisão molecular inédita.

A tecnologia utiliza nanopartículas capazes de transportar moléculas de RNA terapêutico diretamente para as células da pele. Essa abordagem visa silenciar genes específicos que desencadeiam a inflamação crônica, característica de doenças como a psoríase, e outras disfunções celulares, como as que levam ao vitiligo.

Os avanços dessa pesquisa brasileira foram apresentados recentemente na FAPESP Week Londres. O trabalho é financiado pela FAPESP e pelo CNPq, por meio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Nanotecnologia Farmacêutica. Conforme divulgado pela Agência FAPESP, a coordenadora do projeto, Maria Vitó­ria Bentley, destaca que a experiência de 20 anos do grupo na obtenção e caracterização de nanopartículas lipídicas é fundamental para o sucesso da iniciativa.

Tecnologia Inovadora para Combater a Inflamação Crônica

A psoríase, que afeta cerca de 190 milhões de pessoas no mundo e aproximadamente 5 milhões no Brasil, é uma doença autoimune e genética. Ela se manifesta por lesões inflamatórias graves na pele, causadas pela produção excessiva de proteínas inflamatórias, como o TNF-alfa. O vitiligo, por sua vez, destrói as células produtoras de melanina, levando ao surgimento de manchas brancas na pele.

Ambas as doenças compartilham a superexpressão de genes específicos, o que as torna alvos ideais para a terapia com RNA. A tecnologia desenvolvida pelo NanoGeneSkin utiliza RNA de interferência (siRNA) para degradar o RNA mensageiro responsável pela produção dessas proteínas inflamatórias. O resultado é a redução da inflamação a níveis saudáveis, minimizando efeitos colaterais sistêmicos.

“É a nanomedicina de precisão”, resume Bentley. “Eu tenho um alvo específico e um RNA complementar para silenciar aquele gene que está superexpresso naquela doença.” Essa abordagem permite um tratamento direcionado, diferente dos medicamentos convencionais que agem em todo o organismo.

Desafios e Soluções na Entrega do RNA Terapêutico

O transporte de moléculas de RNA para as células da pele apresenta desafios significativos. O RNA é quimicamente frágil e facilmente degradado por enzimas. Além disso, a pele funciona como uma barreira eficaz contra a penetração de substâncias externas.

Para superar esses obstáculos, os pesquisadores desenvolveram nanopartículas de cristais líquidos. Essas estruturas, compostas por lipídios com organização ordenada, protegem o material genético da degradação. Elas também facilitam a penetração na pele e a captação pelas células-alvo, garantindo a entrega eficiente do RNA terapêutico.

As pesquisas demonstram que essas nanopartículas são eficazes no silenciamento gênico. Métodos como a fotoativação, que utiliza luz, podem potencializar a liberação do RNA dentro das células. Uma estratégia promissora é a capacidade de carregar simultaneamente múltiplos RNAs e até fármacos anti-inflamatórios em uma única nanopartícula, o que é crucial para tratar a complexa cascata inflamatória da psoríase.

Aplicações Ampliadas e Potencial para Vacinas

Os resultados da pesquisa foram validados em modelos celulares e em animais com lesões induzidas experimentalmente. O escopo da tecnologia vai além da psoríase e vitiligo, com aplicações em andamento para a cicatrização de feridas crônicas.

Adicionalmente, o grupo está desenvolvendo uma nanoestrutura para entrega de mRNA, com potencial para uso em vacinas, inclusive contra o câncer. Esse princípio é similar ao utilizado em vacinas contra a COVID-19, onde o corpo é instruído a produzir uma proteína específica para estimular a resposta imune.

A tecnologia já despertou interesse de empresas farmacêuticas. Com duas patentes depositadas e processos de escalonamento industrial em desenvolvimento, como a liofilização para aumentar a validade e facilitar a comercialização, o grupo da USP avança para a viabilização de produtos que possam chegar aos pacientes. A meta é transformar essa promissora descoberta científica em uma solução terapêutica acessível.

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