Quizomba no Aterro: Carnaval une festa, ecologia e combate ao feminicídio com ritmos contagiantes
O Bloco Quizomba transformou o Aterro do Flamengo em um palco de celebração e conscientização durante o carnaval. Com os temas “Verde que te Quero Ver” e o combate ao feminicídio, o grupo atraiu uma multidão vibrante para as ruas do Rio de Janeiro na terça-feira de carnaval.
A iniciativa busca alertar sobre a importância da ecologia e a recuperação dos biomas brasileiros, incentivando a reflexão sobre o futuro do planeta. Paralelamente, o bloco reforça a luta contra a violência às mulheres e o feminicídio, em parceria com o Levante Mulheres Vivas.
O carnaval, descrito como um “teatro a céu aberto”, oferece um espaço único para discussões relevantes. Os dados sobre feminicídio no Brasil, que registrou um aumento significativo de 17% em 2025 com 15.453 julgamentos, evidenciam a urgência da pauta, conforme informações do sistema judiciário. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também aponta a concessão de 621.202 medidas protetivas no mesmo período, uma média de 70 por hora.
A força da bateria e a diversidade musical
A percussão do Quizomba é composta por 160 integrantes, muitos deles formados na oficina do bloco, que acontece no Circo Voador. O mestre de bateria, André Schmidt, destaca a pluralidade do grupo: “O Quizomba é um bloco plural. Fomos um dos precursores da revitalização do carnaval carioca. A gente traz samba, axé, marchinha, samba reggae, rock, pop rock”.
Fundado em 2001, o Quizomba nasceu da paixão pela música brasileira e do desejo de levar essa diversidade em forma de festa para as ruas. A publicitária Patrícia Lima, que toca tamborim no bloco, compartilha sua experiência: “Eu me apaixonei pelo bloco e resolvi fazer a oficina há três anos. O que me atraiu foi o repertório com MPB, samba enredo, rock. É muito diversificado”.
Conscientização ambiental e ancestralidade
A professora Andreia Martins, que veio de Juiz de Fora para participar do carnaval no Rio, ressalta a importância dos temas abordados pelo Quizomba. “Achei importante o tema da natureza, que está pedindo socorro. Tudo que faça uma ode à preservação ambiental é muito importante”, afirmou.
Ela também valoriza a conexão com as raízes: “Tenho um amigo no bloco que toca surdo. Acho importante o grupo que toca tambor porque reforça nossa ancestralidade”. A união de ritmos e mensagens sociais faz do Quizomba um bloco único e engajado, promovendo reflexão e alegria em plena folia carnavalesca.
