Domingo, 19 de Julho de 2026 às 01:34
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Nobel de Economia Afirma: IA Não Causará Desemprego em Massa, Mas Atenção às Desigualdades Regionais e Salariais é Crucial

Nobel de Economia Christopher Pissarides: O Real Impacto da IA no Emprego e os Desafios Futuros

O temor de um desemprego em massa causado pela Inteligência Artificial (IA) é, segundo o economista Christopher Pissarides, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2010, uma visão superestimada quando analisada sob a ótica da macroeconomia. Pissarides, especialista em dinâmica do mercado de trabalho, participou da 25ª Conferência da Society for the Advancement of Economic Theory (SAET), realizada no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro, e compartilhou suas análises sobre o tema.

Ele pontua que a IA tem se mostrado, predominantemente, uma ferramenta de auxílio aos trabalhadores, e não um substituto em larga escala. Embora exemplos pontuais de demissões em empresas de tecnologia ganhem destaque, a análise macroeconômica revela um impacto global significativamente menor. Pissarides destacou que, em setores tradicionais como a construção civil, observa-se um aumento na demanda por novas funções, incluindo aquelas ligadas à segurança, manutenção, robótica e análise de dados.

A velocidade com que as habilidades profissionais se tornam obsoletas é outro ponto abordado pelo economista. Uma pesquisa liderada por ele indicou que trabalhadores em áreas diretamente ligadas à tecnologia necessitam de treinamento contínuo com maior frequência. Em contrapartida, profissões que demandam alto grau de interação humana, como educação e enfermagem, não apresentaram mudanças drásticas nas competências exigidas ao longo de quase uma década.

Desigualdades Regionais e Salariais: O Outro Lado da IA

Apesar do otimismo quanto ao volume geral de empregos, Christopher Pissarides expressou preocupação com a distribuição desigual dos benefícios gerados pela IA. Ele observou que a tecnologia tende a centralizar a riqueza. Dados de sua pesquisa indicam que aproximadamente 60% dos investimentos em IA se concentram em grandes metrópoles e polos de elite, como o eixo Londres-Oxford-Cambridge no Reino Unido. Essa concentração acentua a divisão econômica regional, deixando áreas periféricas e o interior à margem do desenvolvimento tecnológico.

Setores de Cuidado e o Risco da Precarização Salarial

Para profissões menos suscetíveis à automação, como hotelaria e enfermagem, o principal alerta é a precarização salarial. Pissarides explicou que, por dependerem do contato humano e não apresentarem ganhos de produtividade significativos através de algoritmos, esses setores correm o risco de estagnação salarial caso não haja intervenção governamental. Ele ressaltou a dificuldade em justificar aumentos salariais nesses campos sem um claro aumento de produtividade quantificável.

“O maior desafio com esses setores é como garantir que eles sejam bem pagos, dado que eles não conseguem mostrar [ganho de produtividade]. Como um enfermeiro trabalhando em um hospital movimentado pode melhorar sua produtividade? Portanto, eles têm que depender de dinheiro do governo. E se o governo não tiver dinheiro, eles não serão pagos, o que é a coisa mais triste”, avaliou o Nobel de Economia.

Educação para a Era da IA: Aprender a Aprender

Pissarides defendeu uma reforma nos sistemas de ensino, criticando a especialização precoce. Para ele, a estratégia mais eficaz para prosperar na era da IA não é o domínio de códigos técnicos específicos, mas sim o desenvolvimento da capacidade de “aprender a aprender”. Essa abordagem deve combinar conhecimentos em ciências exatas com uma base sólida em ciências sociais e humanidades, preparando os indivíduos para um futuro de constante adaptação e aprendizado contínuo.

Contexto do Evento no IMPA

A análise de Pissarides ocorreu durante a 25ª Conferência da Society for the Advancement of Economic Theory (SAET), um encontro internacional focado em teoria econômica. O evento, que reuniu outros renomados economistas como James Heckman e Lars Peter Hansen, ambos vencedores do Prêmio Nobel, também celebrou os 80 anos do economista brasileiro Aloisio Araujo, pesquisador emérito do IMPA. A conferência destacou a importância do debate presencial para a troca de ideias e o avanço do conhecimento científico na área.

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