Terça-feira, 01 de Setembro de 2026 às 22:15
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Nepal: Equipes de resgate correm contra o tempo para salvar centenas presos em túneis após colapso de geleira

Nepal intensifica resgate de centenas presos em túneis após devastadora inundação de geleira

Equipes de resgate do Nepal, com apoio de especialistas chineses e indianos, seguem em uma corrida contra o tempo para alcançar centenas de pessoas que estariam presas em túneis bloqueados de projetos hidrelétricos. A tragédia, causada pelo colapso de uma geleira na semana passada, deixou um cenário de destruição nos vales nepaleses e também na China, com um rastro de centenas de mortos e milhares de desaparecidos.

A enxurrada sem precedentes de gelo, rochas e lama na fronteira entre o Nepal e o Tibete, atribuída ao colapso de uma geleira, já causou mais de 900 mortes, com quase 5 mil pessoas ainda desaparecidas. O clima úmido nas planícies do Nepal tem acelerado a decomposição de corpos, muitos deles ainda não identificados, que foram arrastados montanha abaixo pela torrente e enterrados em valas rasas.

O foco principal das autoridades nepalesas está em resgatar os 933 trabalhadores que se acredita estarem presos em 11 projetos hidrelétricos, muitos deles em túneis nos distritos mais afetados, Rasuwa e Nuwakot. Essas informações foram divulgadas pelas autoridades nepalesas, conforme noticiado pela Reuters.

Esforços heroicos em meio a escombros e desafios

Imagens divulgadas pelas equipes de resgate mostram a complexidade das operações, com máquinas de terraplenagem trabalhando dia e noite para remover lama e rochas sob a luz de holofotes. Soldados utilizam lanternas em cavidades abertas na esperança de encontrar acesso aos túneis. O Exército nepalês informou que estão sendo usadas explosões controladas, escavadeiras e iluminação potente para tentar alcançar os trabalhadores.

Até o momento, três corpos foram recuperados após equipes conseguirem entrar em dois túneis, mas outras seções permanecem soterradas. “Uma grande quantidade de escombros se acumulou, o que está representando enorme desafio para abrirmos os túneis”, declarou o porta-voz do Exército do Nepal, Raja Ram Basnet, à Reuters. “Nosso foco principal é abrir os túneis.”, completou.

Balanço trágico e o impacto das mudanças climáticas

Autoridades nepalesas divulgaram que 903 pessoas morreram e 4.247 estão desaparecidas, incluindo os 933 trabalhadores em projetos hidrelétricos. Do lado chinês, o número de mortos é de 16 no condado de Gyirong, com 546 desaparecidos. A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas foram afetadas pela tragédia, que a China atribui aos efeitos das mudanças climáticas.

O Nepal tem visto um crescimento expressivo em projetos hidrelétricos desde o início do século, buscando aproveitar seus recursos hídricos para suprir a escassez de energia interna e exportar eletricidade para a Índia. Esses projetos, em sua maioria, necessitam de túneis para conduzir a água através do terreno montanhoso, aproveitando a queda de altitude para gerar energia.

Ajuda internacional e riscos iminentes

Embora o Nepal tenha afirmado não necessitar de ajuda externa para as operações gerais de resgate, o país tem contado com a expertise de seus vizinhos, Índia e China, em resgates em túneis. As operações de busca e resgate foram interrompidas diversas vezes devido ao mau tempo e ao risco de novas inundações, provocadas por um lago formado na fronteira entre Nepal e China após o desastre.

A televisão estatal chinesa CCTV informou que as geleiras ao redor de uma cratera formada perto do local do colapso da geleira, no lado nepalês, continuam em risco de desabamento, aumentando a apreensão na região. O primeiro-ministro Balendra Shah descreveu a enchente como um “desastre natural sem precedentes e devastador”, ressaltando a dificuldade em obter uma avaliação completa dos danos.

Cidadãos estrangeiros desaparecidos e o futuro da energia hidrelétrica

Pequim informou que 261 cidadãos estrangeiros de 23 países estavam desaparecidos no Tibete, próximo a um importante ponto de passagem de fronteira com o Nepal. A situação exige atenção e esforços coordenados para lidar com as consequências humanitárias e ambientais deste desastre sem precedentes.

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