Quinta-feira, 27 de Agosto de 2026 às 08:09
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Mulheres Negras Lançam Manifesto “Pacto do Bem Viver” para Eleições 2026: Exigem Voz e Poder na Política Brasileira

Manifesto “Pacto do Bem Viver”: Mulheres Negras Apresentam Agenda para Eleições 2026

Um chamado à ação e à transformação ecoou em Brasília nesta quarta-feira (26) com o lançamento do Manifesto Político das Mulheres Negras do Brasil: O Pacto do Bem Viver e as Eleições 2026. Coordenado pela Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), o documento é um marco na luta por maior representatividade e por um sistema político mais justo e equitativo.

Inspiradas por versos como “Levanta povo, cativeiro já acabou!”, de Clementina de Jesus, ativistas e lideranças negras apresentaram uma proposta ambiciosa para o cenário político nacional. O manifesto propõe um sistema focado no **Bem Viver**, com a justiça, a equidade e a dignidade humana no centro das decisões governamentais e da formulação de políticas públicas.

A proposta do feminismo negro, que busca a emancipação e a inclusão, coloca as mulheres pretas e pardas como protagonistas do processo político. Elas não querem ser apenas destinatárias de ações de combate à desigualdade, mas sim agentes de transformação, com capacidade de gestão e de imaginação para construir um país melhor. Conforme divulgado pela AMNB, “É fundamental que a nossa importância na vida política seja vista no âmbito da nossa capacidade de gestão e de imaginação, o que torna a nossa presença nas casas legislativas e no executivo prioridade absoluta”.

Um Chamado por Justiça e Reparação Histórica

O Pacto do Bem Viver reafirma a luta por igualdade, justiça e reparação, buscando corrigir as profundas desigualdades estruturais que persistem no Brasil, herança de mais de três séculos de escravidão. Jolúzia Batista, coordenadora nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), explicou que a iniciativa visa corrigir essas distorções históricas e ampliar a participação das mulheres negras na agenda pública.

“É um conjunto de diretrizes para os candidatos e as candidatas e para os governantes, com uma leitura da realidade para que, depois, a gente possa cobrar e também efetivá-las, já olhando para esse lugar da representação política dentro da estrutura do poder”, afirmou Batista. A articulação tem desenvolvido plataformas políticas para apresentar propostas concretas para o país.

Desafios e Representatividade nas Eleições

O manifesto destaca que o racismo e o sexismo ainda impactam significativamente as disputas eleitorais. Em Brasília, as representantes criticaram a desvalorização das mulheres por parte dos partidos políticos e a baixa destinação de recursos dos fundos partidário e eleitoral para candidaturas negras. A campanha nacional #EuVotoEmNegra busca incentivar a representatividade e a presença de mulheres negras na política.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as Eleições Gerais de 2026 revelam um cenário preocupante: das 20.560 candidaturas registradas, apenas 1.234 (6%) são de mulheres pretas e 2.485 (12,2%) de mulheres pardas. Esses números contrastam drasticamente com a composição da população brasileira, onde, segundo a Pnad Contínua de 2021, cerca de 58 milhões de pessoas, ou 28,2%, são mulheres negras.

Guerra Híbrida e o Avanço da Ultra-Direita

O documento também aborda o que as ativistas chamam de “guerra híbrida”, uma estratégia global e nacional que visa desconstruir direitos humanos e sociais, atacando diretamente grupos historicamente marginalizados. Janira Sodré, coordenadora executiva da AMNB, descreveu essa tática como “tecnoautoritarismo”, referindo-se à gestão de informações políticas pelas big techs.

Essa narrativa, segundo Sodré, vende a perda de garantias históricas como um avanço social, enfraquecendo conquistas importantes. “É o ataque da ultradireita em relação a um projeto de bem viver, que é o bem-estar social. Essa é a construção que a gente almeja e sonha. Tem setores que são contrários, na verdade, odiosos, em relação aos direitos dessas populações diversas e múltiplas”, declarou. Os ataques incluem a desvalorização de serviços públicos, a atuação de grupos paramilitares e a disputa por bases sociais através de modelos teológicos e pastorais.

Pacto Intergeracional pela Transformação

O lançamento do manifesto reuniu mulheres negras de diferentes gerações, visando fortalecer a ocupação de espaços estratégicos de decisão. Caiene Reinier Freitas, mestranda e engenheira ambiental, ressaltou a importância dessa comunhão para impulsionar políticas públicas e denunciou a violência vivenciada por mulheres trans e travestis no Brasil, um grupo com expectativa de vida extremamente baixa.

“Ocupar os espaços de decisão é o que realmente materializa essas representatividades, essas ‘mulheridades’ tão potentes”, celebrou Freitas. A expectativa é que o Estado, com a eleição de representantes comprometidos com o Pacto do Bem Viver, ofereça bem-estar, serviços de cidadania e tome decisões orçamentárias e de equipe que promovam a incidência em políticas públicas essenciais para a comunidade negra.

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