Dívida Pública dos EUA Atinge Marca Histórica de US$ 40 Trilhões: Entenda os Fatores
A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou a impressionante marca de US$ 40 trilhões pela primeira vez, um feito que preocupa, mas que, segundo especialistas, não representa um risco iminente de insolvência para a maior economia do mundo. Diversos fatores contribuíram para esse cenário, que dobrou desde 2017.
A elevação da dívida tem raízes em uma combinação de políticas internas e eventos globais. A redução de impostos para os mais ricos, o aumento dos gastos militares e o impacto inflacionário de conflitos internacionais, como a guerra no Oriente Médio, são apontados como os principais vilões.
As tarifas de importação impostas pelo governo de Donald Trump e o consequente aumento dos gastos com juros da dívida, que mais que dobraram desde 2021, também pesam na balança. Conforme análise de economistas consultados pela Agência Brasil, essa conjuntura fiscal exige atenção e pode ter reflexos no cenário econômico global, inclusive no Brasil.
Guerra e Tarifas: Impulsionadores da Inflação e Juros Elevados
Conflitos internacionais, especialmente no Oriente Médio, têm provocado um aumento significativo nos preços dos combustíveis, gerando inflação e pressionando a economia global. Essa instabilidade, aliada às políticas tarifárias do governo Trump, tem elevado os juros cobrados pelos títulos do Tesouro americano, como aponta o professor do Instituto de Economia da Unicamp, Pedro Paulo Zahluth Bastos.
O chamado “risco Trump”, decorrente de políticas consideradas agressivas e geradoras de incertezas no mercado, como o conflito tarifário com o Canadá, contribui para a desconfiança e, consequentemente, para o aumento dos juros. Essa política pressiona os títulos do Tesouro, elevando o custo da dívida para os EUA.
Corte de Impostos para Ricos e o Aumento do Endividamento
A política de corte de impostos para os mais ricos, uma marca registrada dos governos republicanos, tem sido um fator crucial no aumento da dívida dos EUA. Segundo o economista Pedro Faria, essa abordagem, sob a justificativa de expandir a economia, resultou em uma redução da arrecadação fiscal.
O projeto de lei de 2025, que propôs mais cortes de impostos para os ricos, aumentou a previsão de déficit em US$ 4,7 trilhões em dez anos, ao mesmo tempo em que cortou US$ 1 trilhão da saúde pública. Essa disparidade entre renúncia fiscal e cortes em áreas essenciais evidencia a concentração de riqueza e o aumento do endividamento.
A menor tributação dos ricos nos EUA contribui para a concentração de renda, e a dívida recorde é um sintoma desse conflito pela distribuição de riqueza. A receita do imposto sobre lucros caiu 23% neste ano fiscal, enquanto os juros beneficiam os detentores de títulos, majoritariamente as famílias mais ricas.
Solvência Garantida, Mas com Ressalvas
Apesar do valor expressivo da dívida, economistas descartam a possibilidade de insolvência dos EUA. Pedro Paulo Zahluth Bastos explica que a emissão da própria moeda e o dólar como reserva monetária global conferem ao país uma capacidade ímpar de honrar seus compromissos. O Federal Reserve (FED), o Banco Central americano, pode intervir comprando títulos, como ocorreu em 2020.
O “risco Trump” é visto como um fator mais preocupante do que o tamanho da dívida. A instabilidade política e a percepção de políticas econômicas erráticas podem levar governos e investidores a reduzir a confiança nos títulos americanos, pressionando os juros. O rendimento dos títulos públicos de 30 anos atingiu 5,33% em agosto, o maior nível desde 2007, refletindo essa incerteza.
A carga tributária nos EUA, cerca de 25% do PIB, é inferior à média da OCDE, que é de 34%. Essa defasagem na arrecadação, combinada com os gastos militares e os juros crescentes, configura um cenário fiscal desafiador, mesmo sem risco iminente de calote.
