Segunda-feira, 24 de Agosto de 2026 às 08:11
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Jovens Quilombolas: A Força do Voto Jovem na Defesa de Territórios e Ideais Ancestrais

Eleitores Quilombolas Ampliam Voz Política: Juventude Lidera Busca por Direitos e Futuro

O cenário eleitoral brasileiro tem visto um aumento significativo na participação de eleitores quilombolas. Essa crescente adesão reflete uma maior conscientização sobre a importância do voto na defesa de seus territórios, culturas e direitos ancestrais. A juventude quilombola tem se destacado nesse movimento, buscando ativamente formas de influenciar as decisões políticas que impactam diretamente suas comunidades.

A participação política é vista como uma ferramenta essencial para garantir a preservação ambiental e a proteção de suas terras, além de reivindicar políticas públicas que atendam às suas necessidades específicas. O voto se torna, assim, um ato de resistência e de afirmação de identidade, fortalecendo a luta por reconhecimento e justiça social.

De acordo com dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de eleitores que se identificam como quilombolas praticamente dobrou entre as eleições de 2024 e 2026. Essa expansão, impulsionada pela conscientização e pelo engajamento comunitário, demonstra a força emergente desse grupo no processo democrático do país, como informado pelo TSE.

A Primeira Vez na Urna: Esperança e Responsabilidade

Em Antinha de Baixo, Goiás, a estudante Thauany Silva, de 16 anos, aguarda ansiosamente sua primeira experiência eleitoral. Acompanhada de seu avô, Joaquim Moreira, de 87 anos, um eleitor assíduo, Thauany expressa a importância de votar para o futuro de sua comunidade. “Quando a gente vota, estamos cuidando do futuro de todos nós, né?”, argumenta a jovem, que buscou o título de eleitor logo ao completar a idade mínima.

Sua mãe, Mayara Silva, reforça a necessidade de acompanhar as decisões políticas, pois elas afetam o cotidiano da comunidade. “Não tem como fechar os olhos para o fato que tudo é política”, afirma. Essa visão educativa é fundamental para a formação de cidadãos conscientes de seu papel na sociedade.

O Voto como Ferramenta de Defesa e Conscientização

Franciele Silva, universitária de direito de 27 anos, moradora da comunidade de Rio dos Macacos, Bahia, ressalta a conexão entre política e o bem-estar coletivo. “Até o ar que a gente respira tem a ver com política”, declara. Desde os 18 anos, ela compreende a importância de lutar pelos direitos de sua comunidade e, com o conhecimento jurídico adquirido, tem levado mais informações sobre a defesa territorial para os seus.

A região Nordeste concentra a maior parte do eleitorado quilombola do país, com um aumento expressivo de eleitores entre 2024 e 2026, segundo o TSE. Esse crescimento é atribuído à maior visibilidade e conscientização política nos territórios quilombolas, conforme aponta a professora Bia Nunes, pesquisadora da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

Conaq: Pautas Quilombolas em Destaque e a Importância do Voto

Bia Nunes explica que a Conaq tem levado as pautas quilombolas a diversos espaços, buscando parcerias e fortalecendo o engajamento. O letramento político foca no papel dos quilombolas como guardiões da natureza e da biodiversidade, evidenciando a importância de seus territórios para a coletividade. “As pessoas começam a dimensionar esse trabalho e a entender a importância do voto e de escolher os representantes”, acrescenta.

A organização enfatiza a necessidade de exigir dos governantes o compromisso com a proteção das pessoas e com a titulação de territórios quilombolas. O engajamento dos jovens é visto como essencial nesse processo, embora ainda haja um contexto de vulnerabilidade, com ameaças e pressões. Bia Nunes, inclusive, já esteve sob programa de proteção após sofrer ameaças em 2020, quando era candidata.

Fortalecimento Político e Defesa contra a Desinformação

Rafael Costa, educador de alfabetização financeira da comunidade Mesquita, Goiás, observa um crescente interesse em temas de participação e representatividade política. “Quanto mais as pessoas se informam, mais pesquisam, estudam e passam a ter mais noção da necessidade de políticas públicas, por exemplo”, contextualiza.

Ele destaca a importância de as comunidades, com seu espírito cooperativo, estarem atentas à desinformação e a golpes financeiros. O desenvolvimento da consciência política caminha junto com o entendimento do modo de vida e de produção de cada comunidade. O engajamento dos jovens adultos na participação política é crucial para defender seus territórios da desinformação, fortalecendo cada vez mais a comunidade politicamente.

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