Irã ameaça fechar rotas marítimas cruciais em resposta a bloqueio naval dos EUA
As Forças Armadas do Irã emitiram um comunicado contundente, ameaçando bloquear o comércio marítimo em áreas estratégicas como o Golfo Pérsico, Mar de Omã e Mar Vermelho. A declaração surge como resposta direta ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos.
O major-general Ali Abdollahi, comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbia do Irã, afirmou que o país tomará “medidas decisivas” para defender sua soberania. Ele acusou os EUA de “agressividade e espírito terrorista” e considerou as ações americanas como uma violação do cessar-fogo.
A agência iraniana Tasnim reportou as palavras do chefe militar, que enfatizou que, caso os EUA continuem com o bloqueio e a criação de insegurança para navios comerciais e petroleiros iranianos, as Forças Armadas do Irã não permitirão a continuidade de quaisquer exportações ou importações nas regiões mencionadas.
Impacto global e rotas de estrangulamento
O fechamento do estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, tem o potencial de agravar a crise no mercado de petróleo, que já sofre com o fechamento do Estreito de Ormuz. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), cerca de 20% do comércio mundial de petróleo passa por Ormuz, enquanto Bab el-Mandeb responde por até 5%, sendo ambos considerados “pontos de estrangulamento” vitais.
O Irã considera o bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz, direcionado a embarcações que se dirigem ou partem de portos iranianos, como uma ação ilegal que viola a soberania do país. Por outro lado, o governo dos EUA, sob a liderança de Donald Trump, busca forçar Teerã a aceitar os termos da Casa Branca através dessas medidas.
Mediação e negociações em curso
Em meio à escalada das tensões, o chefe do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir, visitou Teerã nesta quarta-feira para entregar uma mensagem dos EUA e discutir uma possível nova rodada de negociações. A visita ocorre após o fracasso da primeira rodada de conversas no final de semana anterior.
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem defendido a retomada das negociações em breve. No entanto, o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, tem responsabilizado as “exigências excessivas” e a “má-fé” dos EUA pelo insucesso anterior, reiterando que o Irã não abrirá mão de seu programa nuclear pacífico.
Cessar-fogo no Líbano e acusações de violação
O Irã também tem pressionado por um cessar-fogo no Líbano, onde ocorrem confrontos entre Israel e o Hezbollah. Teerã alega que Israel violou um acordo prévio estabelecido entre o Irã e os Estados Unidos.
Esse acordo previa a suspensão das batalhas em todas as frentes de guerra no Oriente Médio, conforme confirmado pelo Paquistão, que atua como intermediário entre Washington e Teerã. Uma fonte anônima ligada ao governo iraniano informou à emissora Al-Mayadeen que há expectativa de um cessar-fogo no Líbano entrar em vigor a partir da noite desta quarta-feira, com duração de uma semana, coincidindo com o prazo restante do cessar-fogo entre EUA e Irã.
A fonte também alertou que “Netanyahu, como elemento disruptivo, pode agir novamente para frustrar este acordo”, referindo-se ao primeiro-ministro de Israel. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, reforçou em coletiva de imprensa que o país não cederá em seu programa nuclear pacífico.
