Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 às 07:35
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Guerra no Congresso: Pesquisa Revela que 54% dos Projetos Ameaçam Direitos Indígenas e Territórios Sagrados

Congresso Nacional Sob Fogo Cruzado: Maioria dos Projetos Ameaça Direitos Indígenas

Uma pesquisa alarmante divulgada pelo Conselho Indígena Missionário (Cimi) revela que a maioria dos projetos em tramitação no Congresso Nacional representa uma ameaça direta aos direitos dos povos indígenas. Dos 272 projetos analisados, um total de 146, o que corresponde a 54%, são considerados desfavoráveis a essas comunidades tradicionais, com forte incidência em questões territoriais.

A plataforma “Congresso Antindígena”, lançada pelo Cimi, sistematiza dados de votações nominais e projetos, evidenciando um cenário preocupante para o futuro dos povos originários no Brasil. A pesquisa aponta que, entre as propostas negativas, 125 visam impactar negativamente os direitos territoriais, um pilar fundamental para a sobrevivência e cultura indígena.

O aumento de proposições contrárias aos interesses indígenas nas últimas legislaturas é um dos pontos centrais da análise. O secretariado executivo do Cimi, Luís Ventura, destaca que, de 2023 para cá, foram protocoladas 83 legislações que vão contra os direitos constitucionais dos povos originários, confirmando um comportamento legislativo desfavorável.

Marco Temporal e Exploração Econômica: As Principais Ameaças

Entre as iniciativas legislativas consideradas prejudiciais, Ventura cita as tentativas de implementar o **Marco Temporal**, que restringe a demarcação de terras, a abertura dos territórios para exploração econômica por terceiros, a redução das possibilidades de demarcação e a transferência dessa atribuição para o Congresso, contrariando a Constituição.

A intensificação de votos contrários aos interesses indígenas no parlamento gera grande preocupação. O Cimi busca, com a plataforma, **tornar público o comportamento dos parlamentares** e conscientizar a sociedade sobre a importância de defender os direitos originários, que, segundo a entidade, são também direitos de toda a sociedade brasileira.

Votos e Plataforma: Transparência Contra o Desmonte de Direitos

O levantamento do Cimi analisou 41.391 votos em 110 votações nominais entre 2019 e 2026, revelando que 67,6% dos votos foram desfavoráveis aos direitos indígenas. A plataforma “Congresso Antindígena” permanecerá ativa, expondo as ações de partidos, deputados e senadores que trabalham contra os direitos constitucionais dos povos originários, promovendo a **transparência e a mobilização social**.

A pesquisa também aponta que proposições contra direitos territoriais tramitam com mais agilidade do que aquelas voltadas para políticas públicas de educação, saúde e cultura para os indígenas. Essa celeridade em propostas desfavoráveis acentua a preocupação com o futuro dessas comunidades.

Impactos Ambientais e Sociais: A Luta de Cleonice Pankararu

A líder indígena Cleonice Pankararu, da Aldeia Cinta Vermelha de Jundiba, em Araçuaí (MG), vivencia na prática as ameaças denunciadas pela pesquisa. Ela relata sofrer pressões e ameaças por defender seus direitos e denunciar a exploração de minério, como o lítio, em sua região.

Cleonice lamenta a degradação ambiental causada pela exploração econômica, que afeta a biodiversidade, a disponibilidade de água e a segurança alimentar de sua comunidade. A perda de matas, frutas, peixes e plantas medicinais é uma realidade que impacta diretamente a vida de sua família e de sua comunidade, mostrando a **urgência de demarcação e proteção territorial**.

A luta pela demarcação de terras e a denúncia da exploração predatória são essenciais para garantir a sobrevivência e o bem-estar dos povos indígenas. A pesquisa do Cimi serve como um alerta crucial para que a sociedade brasileira não se naturalize diante da violação desses direitos fundamentais.

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