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Gigante Americana Compra Mineradora Brasileira de Terras Raras por US$ 2,8 Bilhões e Promete Revolucionar Cadeia Global de Suprimentos

Empresa dos EUA adquire mineradora brasileira de terras raras em negócio bilionário

Um marco significativo para o setor de mineração e tecnologia no Brasil foi anunciado nesta segunda-feira (20): a empresa norte-americana USA Rare Earth (USAR) concluiu a aquisição da brasileira Serra Verde, especializada em terras raras, em uma transação avaliada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões.

A negociação promete impulsionar a produção de materiais críticos para a transição energética e o avanço tecnológico global. A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, em Minaçu (GO), a única mina de argilas iônicas ativa no Brasil e produtora de quatro terras raras pesadas de alto valor estratégico fora da Ásia.

Esta aquisição marca um passo importante na diversificação das fontes de suprimento de terras raras, atualmente dominadas pela China, e estabelece uma nova dinâmica no mercado internacional, conforme informado pelas companhias no comunicado oficial. A expectativa é a criação da maior empresa global do ramo.

Serra Verde: Um Ativo Estratégico para a Indústria Global

A Serra Verde se destaca por ser a única produtora das terras raras pesadas mais críticas e valiosas fora da Ásia: Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y). Esses elementos são fundamentais na fabricação de ímãs permanentes, componentes essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones e sistemas de ar-condicionado de alta eficiência, além de serem vitais para os setores de semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial.

A produção na mina de Pela Ema, que iniciou em 2024, está atualmente em sua fase um e é considerada modesta, mas a expectativa é de um crescimento expressivo, com a meta de dobrar a produção até 2030. Este desenvolvimento é visto como crucial para a criação da primeira cadeia de suprimentos de terras raras de mina a ímã fora da Ásia.

Contrato de Fornecimento e Segurança para a Produção Brasileira

O acordo entre as empresas inclui um contrato de fornecimento de 15 anos, garantindo a entrega de 100% da produção da Fase I da Serra Verde para uma Empresa de Propósito Específico (SPV). Essa SPV será capitalizada por agências do governo dos Estados Unidos e fontes de capital privado, assegurando preços mínimos garantidos para as terras raras magnéticas.

O acordo de fornecimento proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, reduzindo riscos, apoiando investimentos e garantindo o desenvolvimento bem-sucedido de suas operações. Conforme comunicado pela USAR, essa segurança é um fator chave para o sucesso da expansão.

Uma Nova Potência Global em Terras Raras

A combinação das capacidades de mineração e processamento da Serra Verde com as operações de mineração e “downstream” da USAR visa estabelecer uma empresa multinacional líder na cadeia completa de terras raras, da mineração à fabricação de ímãs. A nova entidade terá operações no Brasil, EUA, França e Reino Unido, cobrindo toda a cadeia de suprimentos de terras raras leves e pesadas.

Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração, destacou que os marcos alcançados são um ponto positivo para o Brasil, demonstrando a capacidade do país em liderar o desenvolvimento das cadeias globais de suprimentos de terras raras. Ele também ressaltou que as garantias de fornecimento e a união com a USAR validam a qualidade da operação brasileira, seus colaboradores e o compromisso com práticas responsáveis.

Mercado Reage Positivamente e Impacto Geopolítico

O mercado financeiro reagiu favoravelmente ao anúncio, com as ações da USAR na Nasdaq registrando alta de mais de 8% após a divulgação do negócio. A aquisição prevê a manutenção da equipe da Serra Verde, com a incorporação de dois executivos brasileiros na diretoria da USAR, Sir Mick Davis e Thras Moraitis, respectivamente Presidente do Conselho e CEO do Grupo Serra Verde.

A questão das terras raras tem ganhado destaque global, especialmente com as preocupações expressas por figuras como Donald Trump sobre a dependência mundial da produção chinesa. Esta aquisição representa um passo estratégico para os Estados Unidos em sua busca por diversificar fontes e reduzir a dependência de um único país, alinhando-se a discussões geopolíticas sobre o controle de recursos estratégicos.

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