Espanha culpa “internacional reacionária” e desinformação por onda migratória em Ceuta
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, denunciou uma orquestração da “internacional reacionária” por trás da recente onda de desinformação que levou milhares de marroquinos a tentar cruzar a fronteira para o enclave espanhol de Ceuta.
Segundo Albares, houve uma resposta sincronizada de grupos conservadores internacionais que amplificaram mentiras e notícias falsas sobre a integridade do Espaço Schengen e as ações da Espanha, distorcendo uma decisão judicial.
A crise migratória em Ceuta, que viu um fluxo sem precedentes de pessoas, foi alimentada, segundo o chanceler, por uma “atividade muito incomum” nas redes sociais. O governo espanhol enfatiza a necessidade de combater ativamente a desinformação que se tornou um fator chave para desencadear este movimento.
Conforme informação divulgada pelo próprio ministro, a desinformação se baseou em uma decisão do Supremo Tribunal espanhol que alterou as regras para lidar com imigrantes irregulares que chegam por mar, proibindo a deportação sumária. Notícias falsas foram espalhadas alegando que isso permitiria a imigração para a Espanha sem possibilidade de deportação, o que é categoricamente falso.
Ameaças à integridade do Espaço Schengen
Albares destacou a amplificação rápida das notícias falsas e como elas foram utilizadas para questionar a integridade do Espaço Schengen, que garante o livre trânsito de pessoas na União Europeia. O ministro frisou que a reação vista nas redes sociais por parte do movimento reacionário internacional precisa ser combatida de forma clara e efetiva.
Cobrança por solidariedade europeia
O chanceler espanhol aproveitou para cobrar solidariedade da Europa, lembrando que Ceuta e Melilla são as únicas cidades da União Europeia com fronteira terrestre com a África. A situação em Ceuta tem sido usada por alguns para defender políticas de imigração mais rigorosas no continente europeu.
Atritos diplomáticos e críticas internacionais
A crise em Ceuta também expôs atritos diplomáticos. O governo espanhol criticou a Itália por defender a expulsão da Espanha do Espaço Schengen. Além disso, a gestão de imigração espanhola já havia sido alvo de críticas durante o governo de Donald Trump nos EUA, que responsabilizou as políticas espanholas por “facilitar a imigração ilegal em massa para a Europa”.
Um incidente diplomático notável envolveu o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, que chamou Ceuta e Melilla de “enclaves coloniais na África”. A encarregada de Negócios de Israel na Espanha, Dana Erlich, precisou intervir publicamente para esclarecer que o comentário “não representa a posição do Estado de Israel”. Esses desentendimentos ocorrem em um contexto de divergências entre Espanha e EUA/Israel sobre políticas internacionais, como a oposição da Espanha à guerra contra o Irã e suas críticas às ações de Israel nos territórios palestinos.
