Quinta-feira, 30 de Julho de 2026 às 07:27
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Dívida Pública Dispara e Ultrapassa R$ 9,2 Trilhões em Junho: Selic e Juros Pressionam Contas Públicas

Dívida Pública Federal sobe 2,61% em junho e supera R$ 9,2 trilhões, impulsionada pela Selic alta e emissão de títulos

A Dívida Pública Federal (DPF) registrou um aumento significativo em junho, superando a marca de R$ 9,2 trilhões. Esse crescimento expressivo foi, em grande parte, impulsionado pela forte emissão de títulos públicos atrelados à Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira.

Os dados mais recentes divulgados pelo Tesouro Nacional revelam que a DPF saltou de R$ 8,798 trilhões em maio para R$ 9,033 trilhões no mês seguinte, representando uma alta de 2,66%. É importante notar que, mesmo com esse avanço, o indicador ainda se encontra abaixo das projeções estabelecidas no Plano Anual de Financiamento (PAF).

Apesar do patamar elevado, o endividamento do governo federal se mantém dentro do esperado para o ano, com o PAF prevendo que a DPF encerre 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Acompanhe os detalhes que explicam essa dinâmica.

Emissão de Títulos Vinculados à Selic Aumenta o Endividamento

A Dívida Pública Mobiliária Interna (DPMFi), que representa os títulos públicos emitidos no país, apresentou um crescimento de 2,72%, passando de R$ 8,962 trilhões em maio para R$ 8,921 trilhões em junho. O principal fator para essa elevação foi a emissão líquida positiva, onde o Tesouro Nacional emitiu R$ 143,35 bilhões a mais em títulos do que resgatou.

A maior parte dessa emissão concentrou-se em papéis ligados à Selic, que se tornaram mais atrativos devido aos juros elevados. Além disso, a apropriação de juros, que totalizou R$ 85,16 bilhões, contribuiu para o aumento do estoque da dívida. Essa apropriação reconhece mensalmente a incidência de juros sobre os títulos, incorporando o valor ao saldo devedor.

Com a Taxa Selic em 14,25% ao ano, a apropriação de juros exerce uma pressão considerável sobre o endividamento do governo. Em junho, o Tesouro emitiu R$ 149,49 bilhões em títulos da DPMFi, sendo R$ 102,57 bilhões em papéis vinculados à Selic. Os resgates somaram apenas R$ 6,14 bilhões, um valor baixo para o período.

Dívida Externa Cresce e Dólar Impacta o Valor

A Dívida Pública Federal Externa (DPFe) também apresentou alta, subindo 2,12% e passando de R$ 340,49 bilhões em maio para R$ 347,71 bilhões em junho. O principal impulsionador desse aumento foi a valorização do dólar frente ao real, que cresceu 2,37% no mesmo período, tornando a dívida em moeda estrangeira mais cara em reais.

Colchão da Dívida Pública Atinge Nível Histórico

Após quedas recentes, o colchão da dívida pública, que funciona como uma reserva financeira para momentos de turbulência ou concentração de vencimentos, registrou um aumento expressivo. Essa reserva passou de R$ 1,211 trilhão em maio para R$ 1,346 trilhão em junho, o maior nível desde o início da série histórica em 2015. O Tesouro Nacional atribui essa alta às emissões de títulos terem superado os resgates.

Atualmente, esse colchão é capaz de cobrir 8,33 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, o governo federal tem o vencimento previsto de R$ 1,86 trilhão em títulos.

Composição da Dívida Pública e Preferência por Títulos da Selic

A forte emissão de títulos vinculados à Selic alterou a composição da Dívida Pública Federal. A participação desses títulos subiu de 48,99% para 49,32%. Já os títulos corrigidos pela inflação tiveram uma leve queda, de 26,26% para 25,9%, e os prefixados mantiveram-se estáveis em torno de 21%. Os títulos vinculados ao câmbio permaneceram em cerca de 3,7%.

O Plano Anual de Financiamento prevê que, ao final do ano, os títulos vinculados à Selic fiquem entre 46% e 50%, os corrigidos pela inflação entre 23% e 27%, os prefixados entre 21% e 25%, e os vinculados ao câmbio entre 3% e 7%.

Papéis prefixados, que oferecem mais previsibilidade, tendem a ter menor emissão em momentos de instabilidade no mercado financeiro, pois os investidores exigem juros muito altos. Por outro lado, os títulos atrelados à Selic atraem investidores devido às taxas elevadas definidas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Prazo Médio da Dívida Pública Diminui Ligeiramente

O prazo médio da Dívida Pública Federal apresentou uma leve redução, caindo de 4,07 para 4,01 anos. Esse indicador representa o tempo médio que o governo leva para refinanciar sua dívida. Prazos mais longos geralmente sinalizam maior confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar seus compromissos financeiros.

Composição dos Detentores da Dívida Interna e Queda de Estrangeiros

A composição dos detentores da Dívida Pública Federal interna em junho mostra que as instituições financeiras detêm 31,76% do estoque, seguidas por fundos de pensão (22,52%) e fundos de investimentos (22%). Os não residentes, ou seja, investidores estrangeiros, representam 9,95%.

Em relação a maio, houve uma pequena queda na participação dos estrangeiros, que era de 10,14%. Essa redução pode estar associada a uma maior tensão no mercado financeiro global, como a guerra no Oriente Médio. Historicamente, uma maior fatia de estrangeiros na dívida interna do país é vista como um indicador de confiança na economia brasileira.

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