Sexta-feira, 31 de Julho de 2026 às 11:36
ADVERTISEMENT

Crimes da Ditadura Paraguaia: Ator Denuncia Falta de Respostas e Inspira Filme Vencedor em Berlim

Ditadura Paraguaia: Crimes Impunes e a Busca por Memória no Cinema

A ditadura paraguaia, comandada pelo general Alfredo Stroessner por 35 anos, deixou um rastro de violações de direitos humanos que ainda ecoam no país. Estima-se que quase 20 mil pessoas foram presas arbitrariamente, 19 mil torturadas e 60 mortas, além de 3,5 mil exilados, segundo dados da Comissão da Verdade e Justiça do Paraguai. Grupos LGBTQI+ foram particularmente afetados.

Um dos casos mais emblemáticos é o assassinato do jovem locutor de rádio Bernardo Aranda, em 1959. Homossexual e fã de rock and roll, Aranda foi queimado enquanto dormia. O crime, que nunca foi solucionado, é apontado pela Comissão da Verdade e Justiça como possivelmente tramado pelo governo militar.

A história de Aranda inspirou o livro “Narciso”, do escritor Guido Rodríguez Alcalá, e agora o filme “¿Quién Mató a Narciso?”, dirigido por Marcelo Martinessi. A obra conquistou o Prêmio de Melhor Filme da Mostra Panorama no Festival de Berlim e foi exibida no Bonito CineSur. O filme, que aborda a impunidade, reflete a realidade paraguaia, onde muitas histórias permanecem sem respostas.

“Tanto no cinema quanto na vida, muitas vezes não temos respostas”, afirmou o ator Diro Romero, que interpreta Narciso no filme, durante a apresentação no Bonito CineSur. Ele ressalta que a falta de desfecho no filme espelha a ausência de respostas no Paraguai sobre esses crimes históricos. Romero compara a ditadura paraguaia com as de outros países sul-americanos, marcadas por desaparecimentos, torturas e mortes sem esclarecimento.

A Importância do Cinema na Memória e Reconciliação

Segundo Romero, apresentar essa história através do cinema busca reforçar a necessidade de garantir que tais violências nunca mais se repitam na América do Sul. Ele enfatiza a importância da união entre os países sul-americanos em tempos de divisão, contrastando com a direção que os líderes atuais parecem seguir.

Novas Políticas Impulsionam o Cinema Paraguaio

O filme “¿Quién Mató a Narciso?” sinaliza um novo momento para o cinema paraguaio. Recentemente, o país implementou políticas de incentivo à produção audiovisual, como a Lei do Cinema (2018) e a criação do Instituto Nacional do Audiovisual do Paraguai (INAP). Um acordo de coprodução audiovisual do Mercosul, assinado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, moderniza regras e permite o acesso a fundos públicos para coproduções.

“7 Caixas” Como Marco do Cinema Nacional

Celso Franco, ator de “7 Caixas” (2012), um fenômeno que atraiu 300 mil espectadores no Paraguai, considera o filme um divisor de águas para o cinema de seu país. Ele analisa que o sucesso de “7 Caixas” decorreu da “falta de visão do Paraguai sobre si mesmo”, e que o cinema é uma ferramenta para reverter essa situação. Com o INAP e fundos específicos, o cinema paraguaio ganha força para contar suas inúmeras histórias.

Um Futuro com Mais Histórias Sendo Contadas

Franco acredita que as novas políticas para o audiovisual permitirão que o cinema paraguaio finalmente conte suas próprias narrativas. “Há muitas histórias para serem contadas”, conclui o ator, destacando o potencial do país para explorar sua rica tapeçaria cultural e histórica através das telas.

Menu