Sexta-feira, 31 de Julho de 2026 às 11:36
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Julho Verde: ISTs, como HPV e HIV, aumentam o risco de câncer de cabeça e pescoço; entenda a ligação

Julho Verde: ISTs ligadas ao câncer de cabeça e pescoço exigem atenção e prevenção

O mês de Julho Verde traz à tona a importância da conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço. Neste ano, o foco se volta para a relação preocupante entre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e o desenvolvimento dessas neoplasias, especialmente aquelas causadas pelo HPV (papilomavírus humano). Além disso, comportamentos de risco como tabagismo e consumo excessivo de álcool potencializam ainda mais essa associação.

A prevenção se torna a principal aliada, envolvendo a vacinação contra o HPV, o uso consistente de preservativos em todas as relações sexuais e a realização periódica de exames de rastreamento. Compreender como as ISTs atuam e como se proteger é fundamental para a saúde pública.

Conforme informação divulgada pelo Iamspe, as ISTs são causadas por uma variedade de microrganismos e sua transmissão ocorre principalmente por meio de relações sexuais desprotegidas. Algumas dessas infecções podem levar ao surgimento de células cancerígenas ou debilitar as defesas do corpo, abrindo portas para doenças como o câncer de cabeça e pescoço.

HPV: Um dos principais vilões do câncer de orofaringe

O papilomavírus humano (HPV) é apontado como um dos causadores mais comuns do câncer de orofaringe, região que abrange a base da língua e as amígdalas. O cirurgião de cabeça e pescoço Carlos Lehn, do Iamspe, explica que, embora existam mais de 200 tipos de HPV, os subtipos 16 e 18 são de alto risco para o desenvolvimento de neoplasias. Essas cepas produzem proteínas que **desativam os mecanismos naturais de defesa do organismo contra tumores**, favorecendo a proliferação descontrolada de células e o avanço da doença.

A prática clínica tem observado um aumento expressivo nos casos de câncer de orofaringe associados ao HPV. Dados do Ministério da Saúde revelam que os atendimentos por tumores deste tipo cresceram 48,8% entre 2021 e 2025, saltando de 42.252 para 62.894 registros. Esse aumento reforça a necessidade de medidas preventivas eficazes contra o HPV.

HIV e o aumento da vulnerabilidade ao câncer

Um estudo publicado na Revista Brasileira de Cancerologia em 2020 indicou que até 50% dos indivíduos com HIV podem desenvolver câncer. No entanto, o vírus da AIDS não causa tumores diretamente. Carlos Lehn esclarece que o HIV, quando não controlado, **enfraquece o sistema imunológico**, diminuindo a capacidade do corpo de combater alterações celulares.

Além disso, pessoas vivendo com HIV frequentemente estão mais expostas a outros fatores de risco, como o tabagismo e o consumo de álcool. Essa combinação de fatores eleva significativamente a probabilidade de desenvolverem câncer de cabeça e pescoço, tornando o acompanhamento médico e o controle do vírus ainda mais cruciais.

Prevenção: A chave para combater o câncer de cabeça e pescoço

A prevenção contra os tumores de cabeça e pescoço com origem infecciosa é multifacetada. A vacinação contra o HPV é uma das medidas mais importantes e eficazes, especialmente para adolescentes e jovens. O uso de preservativos em todas as relações sexuais é essencial para evitar a transmissão de diversas ISTs, incluindo o HPV.

Para pessoas vivendo com HIV, a adesão rigorosa ao tratamento é fundamental para manter o vírus sob controle e fortalecer o sistema imunológico. A realização periódica de exames de rastreamento, como a avaliação da cavidade oral e da orofaringe, permite a detecção precoce de lesões suspeitas, aumentando as chances de sucesso no tratamento e a qualidade de vida do paciente.

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