USD ... | EUR ... | PETR4 R$ 37,24 ▼ -1,38% | VALE3 R$ 84,82 ▲ 0,59% | ITUB4 R$ 33,50 ▲ 1,12% | B3SA3 R$ 12,40 ▼ -0,45% | BBAS3 R$ 56,90 ▲ 0,22% | IBOV 127.000 pts ▼ -0,80% | BTC R$ 340.000 ▲ 2,00% | JA Money Acompanhe em tempo real
ADVERTISEMENT

CPI do Crime Organizado questiona Meta: Lucros bilionários da big tech com golpes e exploração sexual na internet são expostos

CPI do Crime Organizado questiona Meta sobre lucros da bigtech com o crime na internet

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado Federal realizou uma audiência tensa nesta terça-feira (24) com representantes da Meta, empresa dona de plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp. O foco principal foi investigar os supostos ganhos econômicos da multinacional americana com a proliferação de crimes em suas redes sociais, especialmente golpes, fraudes e exploração sexual.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou dados e argumentos que indicam um faturamento bilionário da Meta proveniente de anúncios de atividades ilícitas. Segundo o parlamentar, esses lucros incentivariam a manutenção de conteúdos criminosos nas plataformas, dificultando o trabalho das autoridades na repressão desses crimes.

A defesa da Meta, representada pela diretora de políticas econômicas para América Latina, Yana Dumaresq Sobral Alves, negou veementemente as acusações, afirmando que a empresa tem interesse em manter suas plataformas livres de atividades maliciosas e fraudulentas. No entanto, as respostas da diretora deixaram pontos importantes em aberto, levando o relator a solicitar uma nova convocação de um executivo de mais alto escalão da empresa.

Meta é acusada de lucrar com golpes e fraudes online

O senador Alessandro Vieira destacou que a Meta pode estar se beneficiando indiretamente da divulgação de anúncios de golpes e fraudes. Ele apontou que o lucro com publicidade dessas atividades criminosas pode gerar bilhões de dólares em receita para a empresa. Essa prática, segundo o relator, é facilitada pela criptografia de ponta a ponta utilizada em aplicativos como o WhatsApp e o Messenger.

Vieira argumentou que a criptografia, embora apresentada como uma medida de segurança e privacidade, acaba por dificultar a atuação das autoridades. Ele sugeriu que a empresa pode optar por essa medida para reduzir o risco de ter que arcar com indenizações, uma vez que a Justiça teria dificuldades em acessar conteúdos que prejudicaram vítimas, como em casos de exploração sexual.

A diretora da Meta, Yana Dumaresq Sobral Alves, rebateu as acusações, declarando que a empresa não tem interesse em abrigar conteúdos fraudulentos em suas plataformas. Ela afirmou que a companhia adota medidas robustas e proativas para detectar e bloquear campanhas fraudulentas em tempo real, visando proteger usuários e empresas.

Exploração sexual infantil é foco da investigação

Um dos pontos mais graves levantados na CPI foi o uso das plataformas da Meta para a exploração sexual de crianças e adolescentes. O senador Alessandro Vieira citou um relatório da ONG Human Trafficking Institute que aponta o Facebook como a plataforma mais utilizada por traficantes sexuais para aliciar e recrutar crianças, representando 65% dos casos de aliciamento e recrutamento em 2020.

A diretora da Meta, Yana Alves, demonstrou incerteza ao responder se a companhia possui ferramentas eficazes para detectar e impedir a divulgação de imagens de abuso sexual de crianças e adolescentes. Ela se colocou à disposição da Comissão para fornecer mais informações e destacou que o combate à exploração sexual é uma prioridade para a empresa, com equipes dedicadas em diversas áreas.

A Meta enfrenta ações judiciais nos Estados Unidos com acusações semelhantes, negando as alegações de facilitação de exploração sexual infantil e promoção de conteúdos ilegais para obter lucro. Outras plataformas, como a X, também são alvo de investigações por uso de inteligência artificial para criação de imagens sexualizadas de menores.

Documentos vazados e divergências com autoridades

O senador Vieira também questionou a diretora sobre notícias da agência Reuters, de dezembro de 2025, que indicariam documentos internos da Meta orientando gestores a evitarem regulamentações estatais que visam coibir anúncios de golpes na internet. Yana Alves negou ter conhecimento de tais documentos ou de uma abordagem nesse sentido por parte da empresa.

A diretora da Meta apresentou dados sobre as ações da empresa no combate a fraudes, como a desarticulação de quase 12 milhões de contas associadas a centros criminosos de golpes e a remoção de 134 milhões de anúncios fraudulentos em 2025. Ela ressaltou que a confiança dos usuários é crucial para o sucesso do negócio.

Falta de respostas leva a nova convocação

A falta de respostas precisas sobre temas como os limites da criptografia e o uso de algoritmos para favorecer determinados conteúdos levou o relator da CPI a solicitar a convocação do diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister. Vieira argumentou que a empresa havia indicado que Leister teria condições de atender plenamente às demandas da CPI, e que a substituição por Yana Alves pode ter sido um erro de avaliação.

A CPI do Crime Organizado busca aprofundar a investigação sobre a responsabilidade das big techs na disseminação de conteúdos ilegais e criminosos, e a necessidade de uma regulamentação mais eficaz para o ambiente digital. A falta de respostas claras por parte da Meta intensifica o debate sobre a necessidade de leis que garantam maior segurança e transparência nas plataformas online.

Menu