Sexta-feira, 10 de Julho de 2026 às 15:57
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Cláudio Castro desiste de candidatura ao Senado após ser alvo da PF em investigações de fraudes financeiras

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, anunciou nesta quinta-feira (28) a sua decisão de retirar a pré-candidatura ao Senado Federal pelo PP. A informação foi divulgada após semanas de intensa exposição pública e acusações.

Castro afirmou que a decisão foi tomada após uma profunda reflexão pessoal e familiar. Ele declarou que as últimas semanas foram marcadas por ataques que atingiram não apenas sua trajetória política, mas também sua família, motivando a retirada da disputa pelo cargo.

O ex-governador ressaltou que deseja concentrar todos os seus esforços na apresentação de sua defesa e no completo esclarecimento das acusações. Ele se disse convicto da legalidade e lisura de todos os atos praticados ao longo de sua vida pública.

Operações da Polícia Federal como estopim

O anúncio de Cláudio Castro ocorre após ele ter sido alvo de diversas operações da Polícia Federal. As investigações apuram o suposto envolvimento do ex-governador em **fraudes financeiras** coordenadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Na última terça-feira (26), Castro foi alvo da oitava fase da Operação Compliance Zero. Esta fase integra as investigações sobre crimes financeiros que envolvem o Rioprevidência, o fundo de previdência social de servidores ativos, inativos e pensionistas do estado do Rio de Janeiro. As apurações identificaram aplicações de mais de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Banco Master.

O papel de Castro nas investigações

De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a busca e apreensão na casa de Castro, indícios colhidos pela PF apontam que o ex-governador teria exercido um papel politicamente relevante para viabilizar os aportes do Rioprevidência no Banco Master. Em contrapartida, haveria o pagamento de vantagens indevidas aos envolvidos.

As investigações indicam que essa atuação teria se iniciado pela troca de comando no Rioprevidência, com a nomeação, por parte de Castro, de pessoas alinhadas ao esquema criminoso. Há cerca de 15 dias, Cláudio Castro já havia sido alvo de outra operação da PF, que apura irregularidades no setor de combustíveis envolvendo a Refinaria de Manguinhos (Refit).

Julgamento no TSE e inelegibilidade

Além das investigações da PF, Cláudio Castro também aguarda um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte marcou para o dia 2 de junho o julgamento de um recurso do ex-governador contra a decisão que o condenou à inelegibilidade. Em 23 de março, Castro foi condenado pelo TSE até 2030, o que levou à determinação de eleições indiretas para o mandato-tampão, decididas pelos deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

No entanto, o PSD recorreu ao STF pedindo eleições diretas. No dia anterior ao julgamento no TSE, Castro renunciou ao mandato de governador para cumprir o prazo de desincompatibilização necessário para se candidatar ao Senado. Essa manobra foi vista como uma tentativa de forçar a realização de eleições indiretas, em vez de diretas, que ocorrem pelo voto popular.

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