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Chuva não freia fé: Fiéis transformam Centro do Rio em tapete de esperança para Corpus Christi com homenagem a Marielle Franco

Fé que brota na chuva: Tapetes de Corpus Christi no Rio unem tradição, esperança e memória, mesmo com temporal.

A madrugada chuvosa no Centro do Rio de Janeiro testou a devoção de centenas de fiéis, mas não diminuiu o ânimo para a tradicional confecção dos tapetes de Corpus Christi. A celebração, um dos pilares do calendário litúrgico católico, ganhou contornos ainda mais especiais este ano, com a união de fé, arte e um tocante tributo à memória de Marielle Franco.

Materiais como serragem, borra de café e arroz foram transformados em vibrantes obras de arte sobre o asfalto, com o sal grosso colorido servindo de base para desenhos que expressam a espiritualidade e a unidade. A Avenida Chile, palco principal, foi adornada com 100 tapetes, totalizando 300 metros de pura devoção, em uma homenagem ao centenário da Obra de Adoração Perpétua.

A participação do Instituto Marielle Franco marcou este ano, trazendo um girassol que simbolizava o renascimento e a esperança. A presença da mãe de Marielle, Marinete da Silva, reforçou a conexão entre fé, memória e luta por justiça, em um evento que celebrou a vida e a presença de Cristo nas ruas. As informações são da Agência Brasil.

Um Girassol de Esperança e Memória Floresce na Avenida Chile

Pela primeira vez, o Instituto Marielle Franco integrou a confecção dos tapetes de Corpus Christi. A iniciativa atendeu a um convite do cardeal do Rio, dom Orani Tempesta, e trouxe um significado especial, especialmente com a aproximação dos 10 anos da eleição da vereadora. O tapete confeccionado pelo instituto apresentava um girassol desabrochando sobre a silhueta de Marielle Franco.

Marinete da Silva, mãe de Marielle, compartilhou a emoção de participar pela primeira vez, vindo de uma família com forte tradição católica. “Vendo este Cristo vivo dentro da gente e mostrar para o mundo essa produção maior”, declarou Marinete, que chegou antes das 4h da manhã para a montagem. Ela ressaltou a honra de trazer o Instituto Marielle Franco e a família para a tradição, com o apoio do marido, Antônio Francisco da Silva Neto, que também auxiliou na produção.

“É muito importante para a gente e dizer que a nossa fé nos mantém. Celebrar Corpus Christi é uma das celebrações mais bonitas e importantes da Igreja Católica. É o Cristo vivo nas ruas”, afirmou Marinete, destacando a força da fé em momentos de adversidade.

Comunidade Escolar e Fé Inabalável Contra a Chuva

A Escola Dom Cipriano Chagas também demonstrou resiliência e união. O tema do tapete produzido por alunos, famílias e a gestora Ana Gabriela Malta era “Um só coração, unidos na providência”. Mesmo com 200 crianças de áreas vulneráveis envolvidas, a chuva não desanimou a equipe.

“Trabalho em equipe é isso. É muito amor envolvido. Nosso primeiro valor é: amo o que faço. Acho que todo mundo que está aqui, as famílias e as crianças, colocaram muito amor”, explicou Ana Gabriela à Agência Brasil. O grupo iniciou a montagem às 8h30 e celebrou a conclusão graças ao esforço coletivo.

Jovens Coroinhas e a Arte de Expressar a Fé

A participação dos jovens na confecção dos tapetes foi marcante. Rodrigo Lopes, de 12 anos, coroinha da Paróquia Nossa Senhora das Dores, no Rio Comprido, expressou sua alegria em participar pela primeira vez. “Estou adorando. São muitos detalhes, eu sou desenhista e foi um pouco mais fácil”, contou o menino, que frequenta a paróquia semanalmente.

A dedicação de jovens como Rodrigo demonstra a vitalidade da fé entre as novas gerações, que encontram na arte dos tapetes uma forma única de expressar sua devoção e seu amor a Deus, perpetuando uma tradição secular.

Corpus Christi: Um Testemunho Vivo da Diversidade da Fé

O cônego Claudio dos Santos, pároco da Catedral Metropolitana de São Sebastião, ressaltou a importância do Corpus Christi como um momento de testemunho da fé católica. Ele destacou a singularidade de cada tapete como um reflexo da individualidade de cada fiel.

“Não há, na confecção dos tapetes, nenhum igual ao outro. Os desenhos são todos diferentes. É assim que Deus vê cada um de nós. Somos diferentes, mas o senhor continua se servindo de cada um de nós, para esse testemunho da sua presença em nosso mundo”, apontou o cônego à Agência Brasil, enfatizando a unidade na diversidade que a celebração representa.

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