Sábado, 04 de Julho de 2026 às 17:28
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Brasil Fora do Mapa da Fome: Um Ano de Conquista, Mas 6,5 Milhões Ainda Lutam Contra a Insegurança Alimentar Grave

Brasil completa um ano fora do Mapa da Fome, mas desafios persistem na segurança alimentar

Há um ano, o Brasil celebrava sua saída do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), um marco histórico que indicava que menos de 2,5% da população enfrentava risco de subnutrição. Essa conquista, fruto de políticas públicas intersetoriais, representa um avanço significativo na luta contra a fome no país.

Contudo, a realidade ainda impõe desafios. Cerca de 6,5 milhões de brasileiros ainda vivem em situação de insegurança alimentar grave, um dado que evidencia a necessidade de manter e aprimorar as estratégias de combate à fome. A segurança alimentar, definida como o acesso regular e suficiente a alimentos saudáveis, é garantida a 77% da população.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil ressaltam que a manutenção desse patamar e a erradicação definitiva da fome dependem de ações contínuas em diversas frentes, como emprego, renda, saúde, educação e segurança alimentar. A informação foi divulgada pela Agência Brasil.

Ações que Impulsionaram a Saída do Mapa da Fome

O pesquisador Lucas de Almeida Moura, da Universidade de São Paulo, destaca a importância da intersetorialidade das políticas públicas para alcançar o resultado. Ele enfatiza que o combate à insegurança alimentar vai além da oferta de alimentos, envolvendo a criação de uma estrutura complexa que garanta o acesso adequado à alimentação, incluindo renda mínima, educação e saneamento básico.

A secretária Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome, Valéria Burity, aponta o Plano Brasil sem Fome como uma das iniciativas cruciais. O plano articulou medidas econômicas e de proteção social, fomentando a agricultura familiar, ajustando a alimentação escolar e apoiando cozinhas comunitárias, além de garantir trabalho, renda e acesso à alimentação.

A professora Semíramis Domene, da Unifesp, identifica três pilares fundamentais para a redução da fome: a diminuição da desigualdade, o fortalecimento das políticas de proteção social e o incentivo à produção de alimentos. Ela ressalta que o combate à desigualdade é a raiz para sair da fome.

Combate à Desigualdade e Fortalecimento das Políticas Sociais

A professora Semíramis Domene aponta a redução do desemprego para o menor índice em 13 anos e o reajuste do salário mínimo como fatores importantes no combate à desigualdade. A elevação do salário mínimo, com reajustes superiores a 6% a partir de 2022, contribuiu para a melhora na condição de vida de muitas famílias.

O fortalecimento do Bolsa Família é citado como um exemplo de sucesso na proteção social. As famílias atendidas pelo programa têm demonstrado evolução em suas condições de emprego e escolarização, com muitas conseguindo sair do programa devido à melhora de sua situação familiar. A modernização do Cadastro Único e o Programa Nacional de Alimentação Escolar também são mencionados como avanços importantes.

O economista Daniel Duque, da FGV, corrobora a importância do Bolsa Família, destacando o aumento da assistência à renda como fundamental para a recuperação do poder de compra. Ele também aponta a desaceleração dos preços dos alimentos a partir de 2023 e a melhora do mercado de trabalho como fatores que impulsionaram o avanço na segurança alimentar.

Perspectivas Futuras e a Manutenção do Progresso

Para que o Brasil se mantenha fora do Mapa da Fome, é crucial a continuidade de um mercado de trabalho favorável e a manutenção das políticas públicas de proteção social e de combate à desigualdade. A criação de mecanismos permanentes que garantam o acesso à alimentação saudável e de qualidade para toda a população é o grande desafio.

O Índice Multidimensional de Insegurança Alimentar (MUFII), desenvolvido por Lucas de Almeida Moura, aponta que estados do Norte e Nordeste concentram os maiores índices de insegurança alimentar multidimensional, com mais de 50% da população afetada. A atualização deste índice para os anos posteriores a 2022 é esperada para monitorar a evolução do cenário.

A meta de garantir o direito à alimentação adequada e saudável como um direito para todos os brasileiros continua sendo prioridade. A colaboração entre os governos federal, estaduais e municipais é essencial para alcançar e sustentar os avanços na segurança alimentar, erradicando definitivamente a fome no país.

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