Lula busca na Coreia do Sul impulsionar a inovação e o desenvolvimento tecnológico brasileiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em Seul, capital da Coreia do Sul, com o objetivo de fortalecer laços e identificar oportunidades de colaboração que coloquem o Brasil na vanguarda da inovação global. A viagem oficial foca em parcerias estratégicas em setores considerados cruciais para o futuro econômico do país.
Durante um fórum empresarial que reuniu mais de 200 empresas dos dois países, Lula enfatizou a importância de ir além da exportação de matérias-primas, buscando agregar valor e desenvolver tecnologia de ponta em solo brasileiro. A Coreia do Sul, com sua reconhecida expertise em semicondutores e baterias, surge como um parceiro ideal para essa ambição.
O presidente destacou que o Brasil possui minerais críticos essenciais para a produção de eletrônicos e veículos elétricos, e que a parceria com a Coreia do Sul pode alavancar essa vantagem. A busca por um papel mais ativo na cadeia produtiva global, com desenvolvimento tecnológico e geração de empregos qualificados, foi o cerne do discurso, conforme informações divulgadas pelo Repórter Brasil Tarde.
Parcerias estratégicas em minerais, tecnologia e aeroespacial
Lula ressaltou a possibilidade de cooperação na exploração de minerais críticos, fundamentais para a produção de semicondutores e baterias, setores em que a Coreia do Sul é líder mundial. O presidente afirmou que o Brasil busca parcerias que permitam agregar valor e produzir tecnologia de ponta, afastando-se do papel de meros exportadores de matérias-primas.
No setor aeroespacial, o diálogo entre as agências espaciais dos dois países foi apontado como crucial para aprofundar a colaboração, incluindo o compartilhamento de dados de satélites e projetos de exploração lunar. A operação da start-up coreana Innospace no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, exemplifica o potencial dessa união.
Saúde, cosméticos e cultura: um leque de oportunidades
A área da saúde também é um foco importante, com expectativa de fabricação conjunta de novas vacinas, fármacos e insumos médicos. A colaboração entre instituições como a Fiocruz e a Coreia do Sul, aliada ao desenvolvimento do laboratório brasileiro Órion, promete avanços significativos no combate a doenças e na prevenção de epidemias.
No setor de cosméticos, a vasta biodiversidade brasileira combinada com a tecnologia coreana pode multiplicar o alcance e o potencial de exportação. Lula lembrou que o setor de beleza brasileiro superou US$ 1 bilhão em exportações em 2025, enquanto a indústria coreana rivaliza com a França no mercado global.
A economia criativa foi outro ponto de destaque, com Lula citando o sucesso do K-Pop e de produções audiovisuais coreanas, e o potencial do funk brasileiro e das telenovelas. O Brasil, onde a economia criativa já representa mais de 3% do PIB, vê na Coreia do Sul um modelo de sucesso nesse campo.
Comércio e integração produtiva: um novo patamar
Apesar da corrente de comércio entre Brasil e Coreia do Sul, que gira em torno de US$ 11 bilhões, ser inferior ao pico de 2011, Lula vê um grande potencial de crescimento. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações (ApexBrasil) identificou 280 oportunidades para produtos brasileiros no mercado coreano.
Um acordo de cooperação comercial e integração produtiva foi firmado, visando fortalecer a colaboração industrial, tecnológica e agrícola, além de criar cadeias de suprimentos resilientes. O acordo abrange também minerais estratégicos, indústrias sustentáveis e o setor audiovisual.
O presidente Lula também destacou políticas públicas brasileiras, como o PAC e o Nova Indústria Brasil, que incentivam investimentos estrangeiros, e reiterou a importância do desenvolvimento do trabalho para a solução da fome no mundo, comparando o progresso econômico brasileiro e sul-coreano desde os anos 1960.
