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Ato na Paulista clama por manutenção do aborto legal para vítimas de estupro após revogação de norma do Conanda

Ato em São Paulo defende manutenção do aborto legal para vítimas de estupro e critica revogação de norma do Conanda

Um protesto realizado na noite de terça-feira (9) na Avenida Paulista, em São Paulo, reuniu ativistas e defensores dos direitos humanos para expressar descontentamento com a recente decisão do Senado Federal. O projeto aprovado suspendeu a validade da Resolução nº 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

A resolução em questão visava garantir o atendimento humanizado a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, assegurando seus direitos, incluindo o acesso ao aborto legal em casos de gravidez resultante de estupro. A manifestação, que partiu do MASP em direção à Praça do Ciclista, buscou reforçar a importância da manutenção desta norma.

A ação do Senado Federal gerou preocupação entre os movimentos sociais, que argumentam que a revogação da resolução pode dificultar o acesso a um direito já garantido por lei, além de revitimizar as vítimas. A mobilização em São Paulo faz parte de um esforço nacional para conscientizar a população e pressionar por a garantia desses direitos. Conforme informação divulgada pelos organizadores, a resolução do Conanda não criava novos direitos, mas sim reorganizava o fluxo de acesso ao aborto legal para meninas e adolescentes que engravidaram após serem vítimas de violência sexual.

Resolução do Conanda: organização do acesso ao aborto legal

A Resolução 258/2024 do Conanda, aprovada em dezembro de 2024, regulamentava procedimentos já previstos na legislação brasileira. Seu objetivo principal era garantir que crianças e adolescentes vítimas de violência sexual tivessem um acesso mais seguro e humanizado ao aborto legal, quando a gravidez fosse decorrente do estupro. A norma buscava evitar a revitimização durante o processo.

Dafne Sena, integrante da Frente Estadual pela Legalização do Aborto, explicou que a resolução visava impedir que as vítimas passassem por novas violências ao buscarem o procedimento. “Essa resolução organizava esse fluxo, não criava nenhuma hipótese nova de aborto legal e nem novos serviços. Ela só organizava como deveria ser o acesso dessa criança a esse serviço”, afirmou Sena.

Aborto legal: um direito garantido pela Constituição

A manifestação na Avenida Paulista foi organizada pela Frente Nacional contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto. O ato reforça que o aborto legal é um direito já assegurado pela Constituição brasileira em três situações específicas: gravidez decorrente de estupro, risco à vida da gestante e anencefalia fetal. O estupro de vulnerável, que afeta menores de 14 anos, também está incluído.

Tamires de Sousa Arantes, militante do Coletivo Juntas, destacou que a situação já é grave devido aos impedimentos no acesso ao aborto legal em diversas cidades, e que o projeto aprovado pelo Senado tende a agravar esse cenário. “Hoje estamos nas ruas para garantir o direito dessas crianças e em defesa da infância. Esse é um direito que já está constituído há mais de 40 anos”, declarou Arantes.

Estatísticas alarmantes de violência sexual contra crianças e adolescentes

Os dados apresentados durante o ato evidenciam a urgência da discussão. Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, **64 meninas são vítimas de violência sexual por dia no Brasil**. Entre 2011 e 2024, o país registrou **308.077 meninas de até 17 anos** que sofreram esse tipo de violência. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 apontou que, em 2024, houve o maior número de estupros e estupros de vulnerável na série histórica, com **87.545 ocorrências**. Desse total, 76,8% foram de estupro de vulnerável.

A mobilização em São Paulo e em outras cidades do país visa conscientizar sobre a importância de proteger os direitos das vítimas e garantir o acesso a serviços de saúde essenciais, especialmente em casos de violência sexual. A luta é para que o que já é lei seja efetivamente cumprido e que nenhuma vítima seja revitimizada ou tenha seus direitos cerceados.

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