Domingo, 05 de Julho de 2026 às 09:40
ADVERTISEMENT

Terras Raras no Brasil: O Guia Estratégico para o País Dominar o Mercado Global de Alta Tecnologia até 2040

Nova publicação do CGEE traça rota para o Brasil se tornar protagonista na cadeia de suprimentos de terras raras, essencial para a tecnologia moderna.

Um estudo recém-lançado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização social vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresenta um plano detalhado para que o Brasil capitalize suas abundantes reservas de terras raras.

O livro, intitulado “Terras Raras no Brasil: estado da arte, cenários e um mapa do caminho estratégico para 2026–2040”, foi elaborado por dez especialistas e oferece uma análise profunda dos mercados nacional e internacional, além de mapear reservas minerais estratégicas no território brasileiro.

A publicação, apresentada durante o VII Seminário Brasileiro de Terras Raras (SBTR) no Rio de Janeiro, sugere um modelo de exploração com cooperação e capital multilateral, visando posicionar o Brasil como um líder na produção de materiais essenciais para a indústria de alta tecnologia. As informações foram divulgadas pelo CGEE.

O Que São Terras Raras e Por Que São Cruciais?

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos com propriedades únicas de alta condutividade térmica e elétrica. Sua importância reside na aplicação em produtos de ponta, como smartphones, carros elétricos, equipamentos de defesa e turbinas eólicas. O Brasil possui cerca de um quarto das reservas mundiais desses minerais.

Atualmente, o país importa a maioria desses componentes, o que gera uma dependência externa significativa. A publicação do CGEE defende que o Brasil precisa decidir entre ser um mero fornecedor de commodities ou desenvolver uma indústria robusta para fabricar produtos de maior valor agregado.

Um Mapa Estratégico para o Futuro

Anderson Gomes, diretor-presidente do CGEE, destacou que o livro oferece um roteiro claro para que o Brasil alcance a competitividade global na área de terras raras. “Nós temos as terras raras. Não precisamos de ninguém para dizer o que é que nós vamos fazer”, afirmou Gomes, ressaltando a capacidade nacional para autodeterminar sua cadeia produtiva.

O estudo aponta a necessidade de uma política industrial específica para terras raras, com financiamento para empreendimentos e investimento em formação técnica. A Universidade Federal de Pernambuco, em parceria com outras instituições, já está desenvolvendo um curso de pós-graduação para formar mão de obra qualificada para o setor.

Projeto de Lei Avança no Congresso

A expectativa é que as diretrizes apresentadas no livro do CGEE influenciem os debates no Senado sobre o Projeto de Lei 2780/2024. Este PL propõe a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE).

Os minerais críticos e estratégicos, como as terras raras, são considerados prioritários pela Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024-2034. O objetivo é desenvolver tecnologias para exploração, beneficiamento e reciclagem, reduzindo vulnerabilidades e promovendo a sustentabilidade mineral no país.

Oportunidade de Mercado e Desenvolvimento Nacional

A exploração estratégica das terras raras pode posicionar o Brasil de forma vantajosa no cenário mundial. O país tem a oportunidade de não apenas suprir sua demanda interna, mas também de se tornar um exportador de produtos de alto valor agregado, impulsionando a economia e a inovação tecnológica.

A publicação enfatiza a importância de parcerias internacionais e de capital multilateral para viabilizar esses projetos. Com um quarto das reservas globais em seu subsolo, o Brasil possui um potencial imenso para transformar esse recurso natural em desenvolvimento sustentável e liderança tecnológica.

Menu