Ibovespa volta aos 174 mil pontos e dólar cai com aposta na Selic mais baixa, reflexo de dados industriais fracos e feriado nos EUA.
Em um dia marcado pelo feriado da Independência nos Estados Unidos, a bolsa brasileira, o Ibovespa, **retomou o patamar de 174 mil pontos** pela primeira vez em um mês. Paralelamente, o dólar recuou e voltou a ser negociado abaixo de R$ 5,17, impulsionado por expectativas de flexibilização monetária.
A leitura mais fraca da produção industrial em maio, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforçou as apostas dos investidores em um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, já na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom).
Com os mercados norte-americanos fechados, a liquidez na B3 foi reduzida, o que contribuiu para o cenário favorável aos ativos brasileiros. Conforme informação divulgada pela Reuters, o Ibovespa encerrou o pregão com alta de 0,74%, atingindo 174.070,27 pontos, o maior fechamento desde 2 de junho.
Produção Industrial Fraca Sinaliza Possível Corte na Selic
O recuo de 0,2% na produção industrial em maio, em comparação com abril, surpreendeu o mercado e **fortaleceu a percepção de uma desaceleração na atividade econômica**. Esse cenário eleva as expectativas de que o Banco Central possa iniciar um ciclo de cortes na Selic já em agosto.
A queda esperada nos juros futuros tende a beneficiar empresas mais sensíveis ao custo do crédito. A perspectiva de melhores resultados corporativos e a atratividade dos preços das ações no mercado impulsionam o apetite por investimentos em renda variável.
O giro financeiro na B3 somou R$ 12,6 bilhões, um volume abaixo da média diária, refletindo a ausência de negociações em Wall Street devido ao feriado. No acumulado da semana, o Ibovespa registrou ganho de 0,45%, e no ano, a alta é de 8,03%.
Dólar em Queda e Real Valorizado em Cenário Internacional Favorável
O dólar comercial fechou em queda de 0,76%, cotado a R$ 5,168. A moeda americana **praticamente zerou a alta acumulada na semana**, registrando um avanço de apenas 0,03%. O ambiente positivo para moedas de países emergentes e a melhora no apetite por ativos brasileiros favoreceram a valorização do real.
A expectativa de um corte na Selic, somada a dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos divulgados na véspera, que reduziram as apostas em uma política monetária mais restritiva por parte do Federal Reserve, contribuíram para a queda do dólar.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, operou próximo da estabilidade, com o mercado voltado para os próximos indicadores de inflação nos EUA. No acumulado do ano, o dólar acumula uma queda de 5,83% frente ao real.
Liquidez Reduzida e Intervenção do Tesouro Podem Influenciar Mercado
O fechamento das bolsas e do mercado de títulos do Tesouro americano devido ao feriado de 4 de julho **reduziu significativamente o volume de negociações** e limitou a formação de tendências mais consistentes no mercado brasileiro.
No cenário interno, a possibilidade de novas intervenções do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos, admitida pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, também contribuiu para a redução dos juros no mercado futuro, favorecendo a bolsa de valores.
