A Geração Prateada ganha força: eleitores 60+ crescem 74% e se tornam decisivos nas eleições.
Um levantamento da Nexus-Pesquisa e Inteligência de Dados, com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela um crescimento impressionante da chamada Geração Prateada, composta por eleitores com 60 anos ou mais. Este grupo demográfico apto a votar expandiu-se em 74% nos últimos 16 anos, superando em cinco vezes o crescimento do eleitorado geral.
Enquanto o número total de eleitores brasileiros cresceu 15% entre 2010 e 2026, o contingente de idosos aptos a votar saltou de 20,8 milhões para 36,2 milhões. Esses dados indicam uma mudança significativa no perfil do eleitorado, com a Geração Prateada assumindo um papel cada vez mais relevante no cenário político nacional.
A pesquisa aponta que, com a proximidade do prazo final para o cadastro de eleitores em 6 de maio, esses números ainda podem sofrer alterações. Até a data da coleta, 156,2 milhões de brasileiros estavam aptos a votar em outubro, um aumento considerável em relação aos 135,8 milhões registrados em 2010. Conforme divulgado pela Nexus, a força da Geração Prateada pode ser um fator determinante, especialmente em eleições marcadas pela polarização.
O peso estratégico da Geração Prateada no voto
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, destaca a importância estratégica do voto dos eleitores com 60 anos ou mais. Ele afirma que é “bastante plausível afirmar que a chamada Geração Prateada (60+) pode ser decisiva nas eleições, embora não se possa dizer que ela, sozinha, definirá o resultado”.
Tokarski lembra que a diferença entre os candidatos na última eleição presidencial, em 2022, foi inferior a 2 milhões de votos. Isso torna o eleitorado idoso, que hoje representa um em cada quatro votantes no país, um grupo capaz de influenciar significativamente o resultado em sistemas eleitorais equilibrados. Eles podem atuar como o “fiel da balança”, especialmente em cenários polarizados.
A tendência de aumento da proporção de eleitores seniores acompanha o crescimento da longevidade e o envelhecimento populacional no Brasil. A população com 60 anos ou mais saltou de 7% para 16% em três décadas, e o eleitorado nessa faixa etária já corresponde a 23,2% dos votantes totais.
Queda na abstenção e maior participação eleitoral
Um dado relevante é a queda na abstenção entre os eleitores com mais de 60 anos nas últimas três eleições. Em 2014, a taxa era de 37,1%, caindo para 36,4% em 2018 e chegando a 34,5% em 2022. Em contraste, a abstenção geral do eleitorado brasileiro apresentou um leve aumento no mesmo período, passando de 19,4% para 20,9%.
Mesmo os eleitores com mais de 70 anos, que historicamente apresentam uma taxa de abstenção maior, têm comparecido mais às urnas. Sem a obrigatoriedade do voto, esse grupo registrou 58,9% de abstenção em 2022, uma redução em relação a 2014 e 2018. Tokarski avalia que estes eleitores votam por convicção ou identificação política, e, assim como os jovens de 16 a 18 anos, representam faixas essenciais a serem conquistadas pelos candidatos.
Candidatos idosos em ascensão
O número de candidatos com 60 anos ou mais também tem crescido exponencialmente no Brasil, tanto em eleições gerais quanto municipais. Dados do TSE indicam que, nas últimas eleições municipais de 2024, mais de 70 mil brasileiros com 60+ se candidataram, representando 15% do total de candidaturas, o maior índice desde 1998.
Nas eleições gerais de 2022, 4.873 candidatos com 60 anos ou mais disputaram cargos, o que equivalia a 17% das candidaturas totais. Este aumento na participação de candidatos idosos reflete a crescente relevância e o engajamento dessa faixa etária na política brasileira, reforçando o papel da Geração Prateada no futuro do país.
