Quinta-feira, 10 de Setembro de 2026 às 09:04
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El Niño no Sudeste: Rio de Janeiro ganha base da Força Nacional do SUS para respostas rápidas a emergências climáticas

Rio de Janeiro se torna ponto estratégico para a saúde pública em emergências climáticas com nova base da Força Nacional do SUS

O Ministério da Saúde inaugurou, nesta quarta-feira (9), uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) na cidade do Rio de Janeiro. O objetivo principal é fortalecer o atendimento em saúde pública em cenários de emergências sanitárias e desastres naturais, especialmente diante das previsões para o fenômeno El Niño.

A nova unidade tem capacidade de atuação em todos os estados e municípios da Região Sudeste, buscando reduzir o tempo de resposta em situações críticas. A iniciativa visa articular ações entre o poder público para lidar com os impactos de mudanças climáticas, como ondas de calor e chuvas intensas, que afetam diretamente a saúde da população.

Essa instalação atende a recomendações de pesquisas que apontam vulnerabilidade de cidades brasileiras a eventos climáticos extremos. A base no Rio de Janeiro é a terceira do país, somando-se às já existentes em Porto Alegre (RS) e Salvador (BA), e faz parte de um plano de expansão do Ministério da Saúde para cobrir todo o território nacional. Conforme informado pelo Ministério da Saúde, a intenção é inaugurar mais seis pontos até o fim do ano.

Equipamentos e Estratégia para Resposta Rápida

A base carioca conta com recursos essenciais para o trabalho em campo, como equipamentos de comunicação via satélite, drones para monitoramento e suporte para o deslocamento de equipes. Além disso, um posto médico avançado foi instalado na sede da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), na Glória, zona sul do Rio. Em situações de emergência, a capacidade de atendimento pode ser ampliada com a adesão de novas equipes e voluntários.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância da nova unidade, afirmando que “Agora, com a base do Rio de Janeiro, conseguimos chegar em até 12 horas em qualquer localidade da Região Sudeste”. Essa agilidade é crucial para mitigar os efeitos de desastres e garantir o acesso à saúde.

El Niño e os Riscos à Saúde Pública

A instalação da base em resposta ao El Niño é estratégica, pois o fenômeno climático tem potencial para intensificar chuvas, temporais e ondas de calor na Região Sudeste, com projeções indicando efeitos significativos já em 2026. Em outras regiões, espera-se seca e aumento de incêndios, eventos que também demandam respostas coordenadas de saúde.

Uma pesquisa da Fiocruz, divulgada em junho, aponta que o Brasil registrou 120 mil mortes em 20 anos devido à inação em ondas de calor, sendo idosos, mulheres e crianças as vítimas mais frequentes. A Fiocruz tem recomendado a ativação de sistemas de monitoramento e alerta antecipados pelo SUS para orientar e atender a população.

Integração com Centros de Vigilância Climática

As unidades da FN-SUS funcionam integradas aos Centros de Informação em Saúde e Clima (Cisc). Esses centros coletam dados sobre meio ambiente, clima e demografia para antecipar e planejar ações de vigilância em saúde, prevenção de doenças e respostas a eventos extremos. Essa abordagem proativa é fundamental para lidar com os graves impactos das mudanças climáticas.

Uma nota técnica da Fiocruz sobre o El Niño ressalta que “Enchentes, secas e queimadas produzem tanto efeitos imediatos quanto prolongados, desorganizam serviços, deslocam populações, ampliam exposição a agentes infecciosos e ambientais, interrompem tratamentos e agravam o sofrimento mental”. A resposta, segundo o documento, deve envolver uma agenda preventiva conjunta do SUS, Defesa Civil, serviços de saneamento e assistência social.

Vulnerabilidade de Cidades Brasileiras

A instalação da base no Rio de Janeiro também atende a recomendações de estudos, como o da Universidade Oxford, que identificou a vulnerabilidade de cidades brasileiras a ondas de calor. No Brasil, 11 das 15 cidades com mais de 1 milhão de habitantes foram consideradas vulneráveis, com Goiânia e Manaus liderando o ranking, mas o Rio de Janeiro também figura nessa lista preocupante.

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