USD ... | EUR ... | PETR4 R$ 37,24 ▼ -1,38% | VALE3 R$ 84,82 ▲ 0,59% | ITUB4 R$ 33,50 ▲ 1,12% | B3SA3 R$ 12,40 ▼ -0,45% | BBAS3 R$ 56,90 ▲ 0,22% | IBOV 127.000 pts ▼ -0,80% | BTC R$ 340.000 ▲ 2,00% | JA Money Acompanhe em tempo real
ADVERTISEMENT

USP Revoluciona Tratamento de Pele: Nanotecnologia Brasileira Leva RNA Terapêutico para Silenciar Genes de Doenças Crônicas

USP Revoluciona Tratamento de Pele: Nanotecnologia Brasileira Leva RNA Terapêutico para Silenciar Genes de Doenças Crônicas

Uma descoberta promissora vinda do Brasil pode mudar o cenário do tratamento de doenças de pele como psoríase e vitiligo. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, desenvolveram uma plataforma tecnológica que utiliza nanopartículas para entregar moléculas de RNA terapêutico diretamente nas células da pele.

Essa nanotecnologia atua silenciando com precisão os genes responsáveis pela inflamação crônica e outros processos patológicos. Os avanços dessa pesquisa foram apresentados recentemente na FAPESP Week Londres, destacando o potencial revolucionário da abordagem.

A iniciativa, que faz parte do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Nanotecnologia Farmacêutica, financiado pela FAPESP e CNPq, busca oferecer tratamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais para condições que afetam milhões de pessoas. Conforme informação divulgada pela Agência FAPESP, a coordenadora do NanoGeneSkin, Maria Vitó­ria Bentley, lidera o projeto que já acumula duas décadas de pesquisa.

Nanopartículas de Precisão para Combater Doenças Cutâneas

A psoríase, que afeta entre 2% e 3% da população mundial (cerca de 190 milhões de pessoas), é uma doença crônica autoimune e genética. Ela se manifesta por lesões inflamatórias severas na pele, impulsionadas pela produção excessiva de citocinas pró-inflamatórias, como o TNF-alfa. Já o vitiligo causa a destruição dos melanócitos, células responsáveis pela pigmentação da pele, levando ao seu branqueamento progressivo.

Ambas as condições compartilham genes superexpressos, que dirigem o processo da doença. A nanotecnologia desenvolvida pela USP utiliza RNA de interferência (siRNA) para silenciar esses genes específicos. O siRNA atua degradando o RNA mensageiro antes que ele produza as proteínas inflamatórias, como se interceptasse uma ordem de fabricação antes de chegar à linha de produção.

“É a nanomedicina de precisão”, resume Bentley. “Eu tenho um alvo específico e um RNA complementar para silenciar aquele gene que está superexpresso naquela doença.” Essa abordagem visa reduzir a inflamação a níveis normais, sem a necessidade de medicamentos sistêmicos que frequentemente causam efeitos colaterais indesejados.

Desafios e Soluções na Entrega do RNA Terapêutico

Levar as moléculas de RNA até as células-alvo na pele representa um desafio significativo. O RNA é quimicamente frágil e rapidamente degradado por enzimas. Além disso, a pele funciona como uma barreira biológica eficaz. Para superar esses obstáculos, os pesquisadores desenvolveram nanopartículas de cristais líquidos.

Essas estruturas, feitas de lipídios com organização molecular ordenada, conseguem encapsular o material genético, protegendo-o da degradação. Sua arquitetura única facilita a penetração na pele e a captação pelas células-alvo, permitindo uma entrega direcionada e eficiente do RNA terapêutico.

Avanços e Aplicações Futuras da Nanotecnologia

O grupo de pesquisa demonstrou que as nanopartículas são funcionais para o silenciamento gênico. Métodos como a fotoativação por luz podem potencializar a liberação do RNA dentro das células. Uma estratégia promissora é a capacidade de carregar simultaneamente múltiplos RNAs e até fármacos anti-inflamatórios convencionais na mesma nanopartícula.

Essa abordagem combinada é especialmente relevante para a psoríase, uma doença com uma cascata inflamatória complexa. “Temos uma nanopartícula funcional. Como a psoríase é muito complexa e tem vários alvos, o nosso objetivo é carregar RNAs para diferentes alvos e, às vezes, também um fármaco anti-inflamatório”, explicou Bentley.

Os resultados foram validados em modelos celulares e em animais com lesões induzidas. Além da psoríase, a plataforma tecnológica está sendo aplicada ao tratamento do vitiligo, para o qual o grupo já possui uma patente, e à cicatrização de feridas crônicas. Uma frente de pesquisa inovadora explora o uso de nanoestruturas para entrega de mRNA, com potencial para o desenvolvimento de vacinas, incluindo uma vacina experimental contra o câncer, seguindo o mesmo princípio das vacinas de mRNA contra a COVID-19.

O pioneirismo do grupo é notável, com duas patentes depositadas e processos de escalonamento industrial em desenvolvimento. Empresas farmacêuticas já demonstraram interesse em licenciar a tecnologia, indicando um futuro promissor para a nanomedicina brasileira no tratamento de diversas doenças.

Menu