MST mobiliza 10 mil pessoas em 15 estados com plantio de 5 mil mudas e críticas ao agronegócio na Semana do Meio Ambiente.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promoveu uma ampla mobilização nacional em celebração à Semana Mundial do Meio Ambiente. Com o lema “combater o agronegócio é cuidar da natureza!”, a iniciativa buscou destacar a reforma agrária como solução para a preservação ambiental e denunciar os impactos negativos do setor.
A Jornada Nacional em Defesa da Natureza e seus Povos, que se estendeu por toda a semana, contou com a participação de cerca de 10 mil pessoas em 15 estados brasileiros. A ação principal envolveu o plantio de mais de 5 mil mudas e a semeadura de aproximadamente 30 toneladas de sementes, em diversas regiões do país, como Alagoas, Bahia, Goiás, Maranhão e São Paulo.
O movimento aproveitou a ocasião para criticar o que classifica como “crimes ambientais do agro-hidro-minero-negócio”, apontando a exploração em larga escala dos recursos naturais e a aprovação de leis que, segundo o MST, incentivam a destruição ambiental. Essas informações foram divulgadas pela organização em comunicado oficial.
Ações de Preservação e Denúncias em Perus, São Paulo
Em São Paulo, no último sábado (6), o MST organizou um protesto contra a instalação de um incinerador no bairro de Perus, na zona noroeste da capital. A manifestação reuniu moradores locais, ambientalistas e representantes de outras organizações sociais, demonstrando a ampla oposição ao projeto.
O incinerador faz parte do projeto EcoParque Bandeirantes, idealizado pela prefeitura de São Paulo em parceria com uma empresa privada. O local escolhido é o antigo Aterro Sanitário Bandeirantes, que operou por 28 anos e teve suas atividades encerradas em 2007, figurando desde então em listas de áreas contaminadas que necessitam de remediação, conforme informações da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
Controvérsias do EcoParque Bandeirantes
O projeto do EcoParque Bandeirantes prevê, além do incinerador, a construção de um biodigestor, unidades de compostagem e biossecagem, e uma central mecanizada de triagem de resíduos. A prefeitura argumenta que o empreendimento visa otimizar a reciclagem, agregar valor a subprodutos, gerar energia com baixa emissão de gases de efeito estufa e reduzir o volume de lixo destinado a aterros.
No entanto, o MST contesta essa visão, afirmando que o projeto vai contra os interesses das comunidades locais, incluindo povos indígenas que habitam o Pico do Jaraguá, próximo à área do antigo aterro. Luciano Carvalho, da direção estadual do MST, criticou o projeto em nota, declarando que “o projeto de instalação do Incinerador em Perus mostra qual é o projeto da burguesia e do agronegócio para o Brasil: para a periferia, para o povo pobre, para os camponeses, para a classe trabalhadora é sempre a poluição, os detritos. Para deixar bonita a área da burguesia, empurram para nós os detritos”.
Reforma Agrária como Solução Ambiental
A Jornada Nacional em Defesa da Natureza e seus Povos, que culminou neste domingo (7), serviu como plataforma para o MST reforçar seu posicionamento de que a reforma agrária é fundamental para o avanço dos cuidados com o meio ambiente. O movimento defende um modelo de agricultura que respeite a natureza, em contraposição ao agronegócio.
Ao longo da semana, as ações de plantio e semeadura realizadas pelos sem-terra em diversos estados simbolizam o compromisso do movimento com a recuperação de áreas degradadas e a promoção da agroecologia. A iniciativa busca conscientizar a sociedade sobre a importância da preservação ambiental e os impactos sociais e ecológicos das grandes cadeias produtivas.
