Terça-feira, 25 de Agosto de 2026 às 08:22
ADVERTISEMENT

Unicef cobra de candidatos à Presidência mais ações de prevenção à violência infantil: “Situação segue grave”

Unicef alerta candidatos à Presidência sobre a urgência de priorizar a prevenção da violência infantil em suas propostas eleitorais

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fez um apelo aos candidatos à Presidência da República, solicitando que suas plataformas eleitorais dediquem maior atenção a medidas eficazes de prevenção à violência infantil. A entidade analisou as propostas de cinco candidaturas, destacando a necessidade de respostas mais adaptadas às vulnerabilidades específicas de diferentes grupos de crianças e adolescentes.

Embora as principais candidaturas apresentem propostas contra violências, o Unicef observa que a maioria foca em políticas de resposta, e não de prevenção. Segundo a organização, o Brasil avançou em áreas sociais nas últimas décadas, mas a situação da violência contra crianças e adolescentes permanece grave, exigindo ações proativas.

“Para proteger crianças e adolescentes, é fundamental também agir antes que a violência aconteça”, ressaltou Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil. Ele enfatizou a importância de políticas de educação, oportunidades para jovens, assistência social, saúde, fortalecimento familiar e sistemas de identificação e referência para situações de violência.

Unicef propõe “parentalidade protetiva” e políticas intersetoriais

O estudo do Unicef defende a inclusão da “parentalidade protetiva” nas políticas existentes de primeira infância, cuidados, assistência social e enfrentamento à violência. Isso envolveria a capacitação de agentes públicos para orientar pais e cuidadores sobre como prevenir a violência e adotar práticas parentais não violentas.

A entidade também sugere a criação de uma Política Nacional de Prevenção de Violências contra Adolescentes, que vá além das ações de segurança pública. A ideia é coordenar esforços entre educação, trabalho, emprego e assistência social para reduzir os fatores de risco associados à violência, garantindo uma proteção integral.

Brasil registra altos índices de violência contra crianças e adolescentes

O Unicef contextualiza o cenário alarmante com dados recentes: no último ano, 2.079 crianças e adolescentes foram mortos de forma violenta no Brasil, o equivalente a seis vítimas por dia. A maioria dessas vítimas são adolescentes homens e negros. Conforme o Anuário de Segurança Pública, mais de 38 mil casos de maus-tratos de menores no ambiente doméstico foram registrados em 2025, mais que o dobro do ano anterior.

Adicionalmente, foram contabilizados 61 mil estupros ou estupros de vulnerável cometidos por autores conhecidos das vítimas, evidenciando a necessidade urgente de medidas mais eficazes de prevenção e proteção.

Análise do Unicef aponta falhas na abordagem das propostas eleitorais

A análise do Unicef apontou que as propostas avaliadas tendem a tratar crianças e adolescentes como um grupo homogêneo, sem considerar recortes de raça, etnia, gênero, deficiência ou território. Essa generalização impede a criação de políticas que realmente atendam às vulnerabilidades específicas de cada grupo, especialmente de crianças negras e indígenas, que enfrentam os maiores riscos de exposição à violência.

Embora haja referências a meninas e crianças com deficiência, a entidade considera que elas são limitadas. A falta de detalhamento e especificidade nas propostas dificulta a implementação de ações efetivas para a prevenção da violência infantil.

Diferentes abordagens dos candidatos à Presidência

O Unicef catalogou 178 menções a crianças e adolescentes nas plataformas de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (NOVO) e Renan Santos (MISSÃO). As plataformas de Lula, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Flávio Bolsonaro abordam o tema explicitamente, enquanto Renan Santos não o faz. No entanto, a entidade percebe uma ênfase maior em respostas à violência do que em prevenção.

Os programas de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema focam em punição e resposta, enquanto o de Ronaldo Caiado equilibra investigação e penalização com propostas de prevenção intersetorial. O plano de Lula, por outro lado, demonstra um maior foco em ações de prevenção da violência infantojuvenil, alinhando-se com as recomendações do Unicef.

Menu