Universidade de Brasília se prepara para receber o Congresso Nacional de Pesquisadores(as) Negros(as) (Copene), um evento estratégico para o avanço da ciência e da justiça social no país.
A Universidade de Brasília (UnB) foi escolhida para sediar o Congresso Nacional de Pesquisadores(as) Negros(as) (Copene), um marco para a comunidade acadêmica e científica brasileira. O evento reunirá milhares de participantes, incluindo intelectuais, acadêmicos e estudiosos negros do Brasil e de outros países da América Latina, consolidando-se como o maior encontro da área.
A escolha da UnB não é por acaso. A instituição é pioneira em políticas de acesso acadêmico por meio de cotas raciais, implementadas desde 2003, e que hoje se estendem a todas as universidades federais do país, graças à Lei de Cotas. Este histórico reforça o compromisso da universidade com a promoção da diversidade e da inclusão no ensino superior e na pesquisa.
O Copene representa um espaço estratégico para a divulgação da produção científica, o fortalecimento de redes de pesquisa e a valorização dos saberes afrodiaspóricos. Além disso, o congresso visa a formulação de propostas concretas para a promoção da equidade racial e da justiça social, conforme informado pelos organizadores do evento. A relevância deste encontro é destacada pela crescente participação de pesquisadores negros no cenário científico nacional, um reflexo das políticas afirmativas que têm ampliado o acesso de negros e pardos à graduação e à pós-graduação.
Programação Rica e Diversificada para o Copene na UnB
A programação do Copene na UnB foi cuidadosamente elaborada para oferecer uma experiência enriquecedora aos participantes. Estão previstos a realização de minicursos, oficinas práticas, painéis de debate com especialistas renomados e mesas redondas que abordarão temas cruciais para a comunidade negra. Além disso, o evento será palco para o lançamento de dezenas de livros, impulsionando a visibilidade da produção intelectual afro-brasileira.
Avanços e Desafios das Políticas Afirmativas na Pesquisa
O acesso de pessoas negras (pretas e pardas) ao ensino superior no Brasil tem apresentado um crescimento significativo. Dados do Censo Populacional do IBGE indicam que a proporção de pardos com graduação saltou de 2,4% para 12,3%, e a de pretos, de 2,1% para 11,7% entre 2000 e 2022. No entanto, essas proporções ainda são inferiores à de pessoas brancas com curso superior, que atingem 25,3%.
No campo da pesquisa, os avanços também são notáveis. O percentual de doutores negros liderando grupos de pesquisa certificados pelo CNPq aumentou de 8,1% para 22,6% no mesmo período. Apesar desse crescimento expressivo, a representatividade de pessoas pretas e pardas no total da população brasileira, que é de 55,5%, ainda indica um caminho a ser percorrido para alcançar a equidade total no meio científico. Atualmente, o país conta com aproximadamente 15 mil pesquisadores negros.
Organização e Parcerias Estratégicas para o Sucesso do Evento
O congresso na UnB é uma iniciativa conjunta do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da universidade (NEAB/UnB), da Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) (ABPN) e do Consórcio Nacional de Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (CONNEABS). Essa colaboração entre instituições de referência demonstra a força e a importância do evento, que promete ser um marco na consolidação e expansão da pesquisa e do pensamento negro no Brasil e na América Latina.
