Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026 às 07:07
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TSE: Ministro Mendonça propõe nova tese para combater deep fakes e proteger eleições de manipulação com IA

TSE avança na definição de regras para combater deep fakes e uso de IA em campanhas eleitorais

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu um passo importante para coibir a disseminação de conteúdo falso durante as eleições. O ministro André Mendonça apresentou uma proposta de tese jurídica que busca estabelecer critérios claros para identificar e julgar casos de deep fake, um tipo de conteúdo artificial criado com inteligência artificial (IA) para prejudicar candidatos.

A iniciativa surge em um momento crucial, com o aumento da preocupação sobre como a tecnologia pode ser utilizada para manipular a opinião pública e interferir no processo democrático. A proposta de Mendonça visa trazer mais segurança e previsibilidade às decisões da Justiça Eleitoral.

A definição proposta pelo ministro busca diferenciar o conteúdo sintético gerado por IA, que já possui regras estabelecidas pelo TSE, dos casos específicos de deep fake. Essa distinção é fundamental para garantir que as decisões judiciais sejam claras e baseadas em critérios objetivos, conforme informações divulgadas pelo próprio TSE.

Definição clara para identificar deep fakes

Na tese apresentada, o ministro André Mendonça propôs uma definição precisa para deep fake: “Considera-se deep fake o conteúdo sintético de áudio, vídeo ou combinação de ambos que, mediante criação, substituição ou alteração digital de imagem ou voz, apresente grau de realismo ou verossimilhança objetivamente apto a produzir falsa percepção de autenticidade quanto a manifestação, comportamento, fato ou circunstância representados”.

Essa definição detalhada é essencial para que os juízes possam analisar os casos com mais rigor e evitar interpretações ambíguas. A proposta foi formalizada em uma decisão do ministro que determinou a remoção de um vídeo que utilizava imagens de um candidato à Presidência, alegadamente produzidas por IA para distorcer sua imagem.

Reunião estratégica no TSE discute combate à desinformação

A apresentação da tese ocorre após uma reunião realizada na semana passada entre os ministros do TSE, convocada pelo presidente da Corte, Kassio Nunes Marques. O objetivo do encontro foi discutir estratégias para o combate às deep fakes e definir como o tribunal atuará diante desse desafio crescente nas campanhas eleitorais.

Embora a reunião tenha ocorrido a portas fechadas e sem declarações oficiais, a expectativa é que as definições tomadas comecem a ser aplicadas nas próximas sessões do TSE. A Corte Eleitoral se prepara para julgar os primeiros casos envolvendo o uso indevido de deep fakes na campanha deste ano, buscando garantir a integridade do pleito.

TSE já possui regras para uso de IA nas eleições

Em março deste ano, o TSE já havia aprovado um conjunto de regras para o uso da inteligência artificial durante as eleições gerais de outubro. Essas normas, que valem para candidatos e partidos, proíbem que provedores de IA ofereçam sugestões de candidatos aos usuários, visando evitar a interferência de algoritmos na escolha livre dos eleitores.

Adicionalmente, o TSE implementou medidas para combater a misoginia digital, proibindo montagens com candidatas e o uso de imagens e vídeos com nudez e pornografia. A Corte também reafirmou que os provedores de internet podem ser responsabilizados judicialmente caso não removam perfis falsos e postagens ilegais de seus usuários, reforçando o compromisso com a segurança e a veracidade da informação no processo eleitoral.

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