Domingo, 20 de Setembro de 2026 às 21:36
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Tesouros do Jequitinhonha Encantam no Museu do Folclore: Bordados Ricos em História e Cultura Chegam ao Rio de Janeiro

O Museu de Folclore Edison Carneiro, no Catete, Rio de Janeiro, abre suas portas para uma imersão na rica tapeçaria cultural do Vale do Jequitinhonha. A exposição gratuita “Arte Têxtil de Turmalina e Veredinha” apresenta ao público o delicado e expressivo trabalho de bordados e tecidos feitos manualmente, típicos dessas duas cidades mineiras.

A mostra, que segue até 29 de novembro, oferece uma oportunidade única para admirar e adquirir peças que atravessam séculos de tradição. Os visitantes poderão conhecer de perto a arte têxtil, que engloba não apenas bordados, mas também tecelagem, cerâmica, e trabalhos em couro e madeira, definidos como saberes ancestrais.

Conforme explica a historiadora Ana Lima Kallás, responsável pela pesquisa e curadoria da exposição, o evento proporciona um panorama documental singular sobre a arte têxtil do Jequitinhonha, que apesar de antiga, é ainda pouco conhecida. “O bordado assumiu um lugar mais importante nessa produção têxtil do que os tecidos, há mais bordadeiras que tecelãs”, afirma Kallás.

A força ancestral e a luta pela preservação

A arte têxtil do Jequitinhonha é um legado passado de geração em geração, carregando consigo histórias, identidade e a resiliência de seu povo. A exposição destaca a importância de preservar essa manifestação cultural diante dos desafios contemporâneos.

A historiadora Ana Lima Kallás ressalta que a mostra também serve como um convite à reflexão sobre os impactos ambientais na região, como o plantio extensivo de eucalipto, que tem reduzido a área de cultivo do algodão, matéria-prima essencial para a agricultura familiar e o artesanato local.

Além disso, a exposição aborda a significativa mudança de perspectiva em relação ao trabalho das mulheres. O bordado, historicamente associado a uma atividade doméstica, ganha agora o reconhecimento de profissão, gerando renda e fortalecendo a autonomia feminina.

Do lar para o mundo: a profissionalização do bordado

A presidente da Associação de Artesãos de Turmalina (Astur), Maria Aparecida das Graças Oliveira, compartilha sua trajetória ligada ao artesanato desde a infância. “Desde cedo cresci com tecidos e bordados ao redor. Primeiro, eu ajudava a preparar o algodão para fazer o fio e depois tecer”, relata.

Maria Aparecida vê na exposição uma oportunidade ímpar para dar maior visibilidade à arte têxtil do Jequitinhonha, fortalecendo a autoestima das artesãs e abrindo novos mercados para seus trabalhos. A vinda ao Rio de Janeiro pela primeira vez é um marco para ela e para a comunidade que representa.

Ilma Gonçaves de Oliveira, presidente da Associação Comunitária dos Artesãos de Turmalina (Soarte), reforça a importância do associativismo como ferramenta de empoderamento. “Percebo que aqui, não apenas no nosso município, Turmalina, mas no Vale do Jequitinhonha como um todo, o artesanato representa uma renda necessária. Garante o sustento de famílias”, pontua.

Associativismo: a união que transforma vidas

A força coletiva das artesãs do Jequitinhonha é um dos pilares da exposição. A pesquisadora Ana Lima entrevistou 40 mulheres para compor o acervo, evidenciando como o associativismo molda a dinâmica de trabalho e a busca por soluções.

As artesãs agem em conjunto na compra de insumos, na participação em eventos, nas vendas e no desenvolvimento de novas coleções. Essa união fortalece a busca por capacitação e a superação dos desafios enfrentados no dia a dia.

Serviço

O quê: Mostra “Arte Têxtil de Turmalina e Veredinha – Jequitinhonha, MG”

Onde: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular | Museu de Folclore Edison Carneiro – Rua do Catete, 179. Catete – RJ.

Quando: Até 29 de novembro. Terça a sexta-feira, das 10h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h.

Entrada: Gratuita.

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