Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência: Arte e Movimento como Ferramentas de Inclusão e Combate ao Capacitismo
Em datas como o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebramos a força, a resiliência e o talento de indivíduos que, através da arte e do movimento, quebram barreiras e desafiam o capacitismo. Histórias inspiradoras de superação e criatividade demonstram como a expressão artística e a prática esportiva podem ser poderosos instrumentos de inclusão e de afirmação de direitos.
Luciano Ambrósio, fotógrafo cego, transforma sua percepção do mundo em imagens poéticas, enquanto a estilista Juliana Santos usa sua arte para protestar contra o ódio online. A professora Carolina Belfort incentiva o movimento e a inclusão nas escolas, e a atleta surda Daniela Francescutti encontra na natação um refúgio e um caminho para o sucesso.
Essas trajetórias, repletas de desafios e conquistas, reforçam a importância de combater o capacitismo, o preconceito que subestima e limita pessoas com deficiência. A arte e o esporte não são apenas hobbies, mas sim meios de expressão, sustento e empoderamento, essenciais para garantir a cidadania plena e a visibilidade que todos merecem. Conforme informações divulgadas, o Brasil ainda precisa de um letramento sobre o que é o capacitismo, como defende a secretária nacional dos direitos da pessoa com deficiência, Isadora Nascimento, que ressalta a necessidade de campanhas de conscientização e a inclusão do tema nas escolas.
Fotografia que Transcende a Visão: A Arte de Luciano Ambrósio
Luciano Ambrósio, 57 anos, fotógrafo morador de Ceilândia (DF), perdeu a visão aos 24 anos, mas não deixou que isso o impedisse de capturar a beleza do mundo. Utilizando um software de voz e mapeando o ambiente pelo tato e pelos sons, ele cria imagens que revelam perspectivas únicas, muitas vezes ignoradas. Seu livro, “Meu Olhar”, com 120 páginas, reúne fotografias e 100 poesias, um sonho prestes a se concretizar.
“Quando sinto o calor do sol da manhã na pele, me dá vontade de fotografar. Gosto das frestas de luz que se formam aqui em casa”, relata Ambrósio. Ele descreve como mapeia o ambiente pelo corpo, sentindo a textura do chão e os sons ao redor. Com o apoio de um software no celular que traduz a imagem, ele decide o momento do clique. A esposa de Luciano, Edna Teodoro, destaca a capacidade criativa do marido e lamenta episódios de capacitismo, como a vez em que uma atendente se dirigiu a ela em vez de a ele.
Moda como Manifesto: Juliana Santos Contra o Capacitismo Online
A estilista goiana Juliana Santos, 40 anos, enfrenta uma batalha judicial após sofrer ataques virtuais relacionados à sua deficiência. Em 12 anos de carreira, ela produziu mais de 2.300 vestidos, mas viu sua produção cair drasticamente devido à perseguição online, com cancelamentos e perda de contratos. “Minha arte é meu trabalho, meu sustento e o sustento dos meus filhos. Quero que haja responsabilização por aquilo que aconteceu”, afirma Santos.
Em protesto contra o capacitismo nas redes sociais, Juliana apresentará um vestido intervenção artística com 200 comentários ofensivos registrados nos últimos dois anos. Vítima de um incêndio na infância que resultou na perda dos dedos das mãos e cicatrizes, ela superou as limitações para se tornar uma talentosa estilista. “A minha deficiência é só um detalhe. Não são minhas mãos que fazem os vestidos, é o meu cérebro, é o meu olhar, é a minha criatividade”, declara.
Movimento e Inclusão na Educação Física: A Inspiração de Carolina Belfort
Carolina Belfort, 40 anos, professora de educação física no Distrito Federal, usa sua paixão pelo movimento para encantar alunos de todas as idades. Cadeirante desde a infância devido a um tiro acidental, ela adota uma abordagem aberta em sala de aula, incentivando os alunos a perguntarem o que quiserem sobre sua condição. “Com o tempo, eles nem se lembram mais desse assunto”, observa.
Carolina estimula o esporte e a dança, momentos muito esperados pelos estudantes. Ela relembra que, em sua própria época escolar, não se sentiu totalmente incluída, pois os professores tinham receio de orientá-la por medo de machucá-la. “A chave foi virada. Foram muitas batalhas porque existe o capacitismo. Eu tenho que me provar duas vezes”, relata. Seu sonho é trabalhar de forma especializada com pessoas com deficiência para inspirá-las a ver a vida de outra forma.
Nas Águas da Superação: A Atleta Surda Daniela Francescutti
Daniela Francescutti, 56 anos, funcionária pública e arquivista, encontrou na natação uma paixão que transcende a saúde e a diversão. Desde 2007, a atleta surda compete em provas masters, destacando-se em estilos como borboleta e medley, além de provas de longa distância. Em 2021, passou a representar o Distrito Federal em competições nacionais de surdos e, neste ano, conquistou três medalhas no Open Panamericano em Guaiaquil, Equador.
A participação em competições transformou sua vida, impactando sua alimentação, sono e o desejo de colaborar com a equipe. “Para mim, a natação é meu templo de paz. É nela que busco a paz interior”, confessa Francescutti. Ela enfatiza que o esporte proporciona um significado que vai além das medalhas, sendo um espaço de autoconhecimento e bem-estar.
