CBV impõe nova regra de elegibilidade, barrando atletas trans em competições femininas
A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) anunciou uma nova e controversa política de elegibilidade que restringe a participação de atletas trans em competições femininas, determinando que apenas atletas do sexo biológico feminino poderão disputar os torneios da entidade. Esta decisão impacta diretamente a continuidade de Tifanny, a primeira atleta trans a competir na Superliga, que representa o Osasco São Cristóvão Saúde desde 2021.
A medida, divulgada na sexta-feira (14), pegou o clube de surpresa, que emitiu nota oficial declarando não ter tido participação ou opinião prévia sobre a nova normativa. O departamento jurídico do Osasco já está analisando a regra para definir os próximos passos, mas reitera o “integral apoio a Tifanny” neste momento desafiador.
Enquanto a Superliga aguarda definições, a Federação Paulista de Volleyball (FPV) informou que, por o Campeonato Paulista ter iniciado antes da publicação da nova política, Tifanny segue liberada para as competições estaduais. A FPV declarou que futuras medidas serão avaliadas após análise jurídica e de saúde para as próximas competições.
Critérios da Nova Política da CBV
A nova política da CBV, segundo a entidade, visa alinhar-se às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). O critério principal estabelecido é a necessidade de apresentação de um resultado negativo para o gene SRY, diferentemente da norma anterior que se baseava em níveis de testosterona.
Esta mudança afeta diretamente a participação de mulheres trans, que antes podiam competir se seus níveis de testosterona estivessem abaixo de um limite específico. A nova determinação entra em vigor nas próximas edições da Superliga (nas duas principais divisões), Supercopa, Copa Brasil e no Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia a partir de 2027.
Histórico de Participação e Apoio Legal
Tifanny fez história ao se tornar a primeira atleta trans a disputar a Superliga em dezembro de 2017 e, desde 2021, é peça fundamental no Osasco São Cristóvão Saúde, equipe com a qual conquistou o título da temporada 2024/2025. Sua trajetória tem sido marcada por avanços e, agora, por um novo obstáculo regulatório.
Em fevereiro deste ano, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar que permitiu a participação de Tifanny na Copa Brasil, atendendo a um pedido da própria CBV. Essa decisão havia sido tomada após a Câmara de Vereadores de Londrina aprovar um requerimento sobre a participação de atletas trans em eventos esportivos no município.
Estreia no Campeonato Paulista Mantida
Apesar da nova regra da CBV, Tifanny está confirmada para a estreia do Osasco no Campeonato Paulista. A equipe enfrentará o Pinheiros neste sábado (15), às 21h30 (horário de Brasília), no Ginásio José Liberatti, em Osasco (SP). A continuidade de sua participação em competições futuras, no entanto, dependerá das análises jurídicas do clube e das possíveis repercussões da nova política.
