Rússia e China vetam resolução da ONU sobre Estreito de Ormuz, criticando viés contra o Irã
O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) rejeitou um projeto de resolução apresentado pelo Bahrein, em nome de países do Golfo Pérsico, que condenava o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. A medida foi vetada pela Rússia e pela China, membros permanentes do Conselho.
A proposta visava criticar as retaliações iranianas sem mencionar as agressões atribuídas aos Estados Unidos (EUA) e Israel. O texto defendia a soberania dos países do Golfo, mas omitia a integridade territorial ou independência política do Irã, o que foi um ponto crucial para o veto dos dois países.
O projeto afirmava o direito dos Estados-Membros de defenderem suas embarcações contra ataques, em conformidade com o direito internacional. Onze membros votaram a favor, enquanto Colômbia e Paquistão se abstiveram. A decisão de vetar a resolução foi comunicada pelas embaixadas da Rússia e da China na ONU, conforme informações divulgadas pelas fontes.
Irã justifica fechamento do Estreito de Ormuz como retaliação
O Irã fechou o Estreito de Ormuz em resposta a supostas agressões de Israel e dos EUA, prometendo manter o canal fechado para nações consideradas hostis. O embaixador iraniano, Amir Saeid Iravani, declarou que o projeto do Bahrein buscava “punir a vítima por defender sua soberania”, oferecendo cobertura para atos ilegais dos agressores.
Iravani salientou que o projeto era, na essência, uma iniciativa dos EUA, e que Washington e Tel-Aviv deveriam assumir a responsabilidade pelo sofrimento causado. Ele garantiu que embarcações não hostis poderiam transitar livremente pelo estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás mundial.
Rússia e China criticam abordagem unilateral da resolução
O embaixador russo, Vassily Nebenzia, classificou o texto como fundamentalmente “errôneo e perigoso para a situação na região”. Ele argumentou que a resolução apresentava o Irã como única fonte de tensão, ignorando os ataques de EUA e Israel.
Nebenzia relembrou o caso da Líbia em 2011, quando uma interpretação vaga de uma resolução do Conselho levou a intervenções prejudiciais. Ele anunciou que Rússia e China apresentarão em breve uma resolução alternativa, descrita como concisa, equitativa e equilibrada.
China aponta falta de equilíbrio e causas profundas do conflito
O embaixador chinês, Fu Cong, destacou que o projeto de resolução falhou em abranger as “causas profundas e o quadro completo do conflito de forma abrangente e equilibrada”. Ele enfatizou que o Conselho de Segurança não deve se precipitar em votações quando preocupações sérias são levantadas por seus membros.
Cong reiterou o compromisso da China em abordar a situação de forma adequada, combatendo suas causas. Ele culpou os EUA e Israel como instigadores do conflito e pediu o cessar das “ações militares ilegais”, bem como que o Irã interrompa seus ataques.
EUA acusam China e Rússia de apoiarem o Irã
O representante dos EUA na ONU, Michael Waltz, afirmou que o Estreito de Ormuz é vital demais para ser usado “como refém, bloqueado ou instrumentalizado por qualquer Estado”. Os EUA expressaram solidariedade aos povos do Golfo e acusaram China e Rússia de se alinharem a um “regime que busca intimidar o Golfo”.
Após as agressões atribuídas a EUA e Israel, o Irã retaliou bases militares americanas e infraestruturas energéticas em países do Golfo. Teerã justifica que essas nações fazem parte da guerra ao permitirem o uso de seus territórios para ataques contra o Irã.
