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Rec-Beat 30 Anos: Gutie Revela Segredos do Festival que Abraça o Novo e a Ancestralidade Cultural

Rec-Beat celebra 30 anos de resistência e inovação, conectando tradições e vanguardas em um caldeirão cultural único.

O Festival Rec-Beat, um dos pilares da música independente e multicultural no Brasil, comemora 30 anos de existência em 2024. Fundado por Antonio Gutierrez, o Gutie, o evento se consolidou como um espaço de descoberta e circulação de novas ideias musicais, sempre pautado pela diversidade e pelo diálogo entre diferentes gerações, estéticas e regiões.

O festival, que ocorre no Cais da Alfândega, no Recife, durante o Carnaval, se tornou um território onde a experimentação é a regra. Gutie, em entrevista à Agência Brasil, detalhou os desafios e as alegrias de manter viva essa chama cultural por tanto tempo, destacando a importância de olhar para o que é periférico e inovador.

“O novo sempre vem”, afirma Gutie, resumindo a essência do Rec-Beat, que aposta na potência da música que pulsa fora dos grandes centros e dos algoritmos. A celebração dos 30 anos trouxe novidades, como a criação do selo Moritz, focado na cena eletrônica, e a reafirmação do compromisso com a diversidade de artistas do Brasil, América Latina e África.

A Origem de um Festival Inovador no Coração do Recife

Gutie relembra que o Rec-Beat nasceu no efervescente cenário dos anos 90, influenciado pelo movimento Manguebeat. Inicialmente uma festa em um casarão histórico, o festival evoluiu para um minifestival no Centro Luiz Freire e, posteriormente, com o apoio da prefeitura do Recife, ganhou o sítio histórico, expandindo seu alcance para todo o Brasil e para o exterior.

“Eu criei uma festa com o nome Rec-Beat, em um casarão no centro histórico da cidade”, conta Gutie. A ideia inicial era dar visibilidade à produção musical local, mas logo o festival se abriu para outras regiões do Brasil, América Latina e África, buscando sempre o que há de mais inovador e relevante nessas cenas.

Diversidade como Norte: Do Eletrônico ao Ancestral

A programação do Rec-Beat sempre buscou um equilíbrio entre tradição e vanguarda. Gutie explica que a diversidade está no DNA do festival, que não tem medo de misturar gêneros e estéticas. A inclusão de DJs nacionais, locais e internacionais, com o novo selo Moritz, reforça essa proposta.

“Eu acredito em muito disso, da diversidade, de encontros, de aquela coisa plural, de você ter a tradição com novas tendências, o eletrônico”, afirma o fundador. Essa pluralidade se reflete na escolha de artistas como Nanda Tsunami, AJULLIACOSTA, Carlos do Complexo, Jadsa, Djonga, Johnny Hooker, Chico Chico, Josyara e Felipe Cordeiro.

Desafios e Resiliência: Mantendo o Rec-Beat Vivo

Manter um festival independente e gratuito como o Rec-Beat não é tarefa fácil. Gutie destaca a dificuldade em conseguir recursos, especialmente em um cenário onde grandes festivais concentram investimentos. A pandemia também impôs desafios, mas o festival nunca deixou de acontecer, exceto em 2020.

“A gente teve um, acho que em 2015, quando teve aquele momento de impeachment da Dilma. O Brasil virou aquele caos. Veio uma onda na economia, que serviu como desculpa dos investidores”, relata Gutie sobre um dos momentos de maior aperto financeiro.

Apesar dos percalços, o Rec-Beat se orgulha de nunca ter falhado em sua missão de apresentar ao público novas sonoridades e perspectivas. A contribuição de Gutie e sua equipe para a cena cultural brasileira é inegável, provando que o novo, quando abraçado com sensibilidade e visão, sempre encontra seu espaço.

O Legado de 30 Anos: Surpresa e Transformação Cultural

Para Gutie, o maior legado do Rec-Beat nesses 30 anos é a capacidade de surpreender e impactar o público. O festival oferece uma alternativa à mídia massiva e aos algoritmos, mostrando que existem milhares de opções culturais a serem descobertas.

“O que eu mais curto no Rec-Beat é exatamente isso: a pessoa vai para ver o nome que ela conhece e acaba se deparando com outras opções que causam surpresa, que são coisas transformadoras”, celebra Gutie. O festival incentiva a aposta no novo, sem medo do desafio, mantendo viva a chama da inovação e da descoberta cultural.

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